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CPI das carnes

07/10/2003 12:00

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Qual é, afinal, a verdadeira explicação para a derrocada do Frigorífico Chapecó? Por que um grupo tão poderoso fecha as portas e demite funcionários numa unidade como a de Santa Rosa, que todos afirmam ser lucrativa? Responder a estas e outras perguntas, que ainda intrigam a população de toda a região Noroeste, será o objetivo da próxima sessão da CPI das Carnes, dia 13 de outubro. Nesta data, a CPI ouvirá o depoimento de Alex Fontana, ex-presidente do grupo argentino Macri, que até pouco tempo controlava a rede de frigoríficos brasileiros. A informação é do deputado Elvino Bohn Gass (PT), vice-presidente da CPI das Carnes da Assembléia Legislativa. "Afinal, como pode uma empresa ter à sua disposição mais de um bilhão de reais em empréstimos públicos, e ainda assim parar de produzir? Nada do que eu ouvi até agora me conveceu. Vamos ver se na próxima sessão da CPI teremos uma explicação convincente," diz Bohn Gass.

Mas a CPI não vai tratar apenas do problema. Também buscará informações sobre o andamento das negociações para a venda do Chapecó e a reabertura das várias unidades da empresa no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. "Sabemos que o negócio ainda depende de um acordo com credores. Mas queremos uma solução. O interesse da CPI é verificar quais são as principais dificuldades na negociação com a empresa francesa Dreyfus, principal interessada em adquirir o Chapecó," informa o deputado.

Na sessão do dia 13 também deverão depor representantes do BNDES e credores do Chapecó. Para Bohn Gass, pairam diversas dúvidas sobre as operações financeiras envolvendo o banco público que, quando recebeu pesados empréstimos, estava em situação pré-falimentar e com cadastro irregular. Os financiamentos foram disponibilizados durante a mudança do controle acionário da empresa, que passou para o grupo argentino Macri. Os recursos deveriam ser usados para a capitalização da companhia, aquisição de outras empresas, alongamento de dívidas e financiamento de capital de giro. O vice-presidente da CPI alerta, no entanto, que a utilização dos recursos não foi comprovada pela empresa e está sendo investigada pelo TCU.

A CPI deverá ouvir também representante da Secretaria da Fazenda sobre a tributação de carnes e derivados no Rio Grande do Sul.

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