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Comissão de Agricultura

18/05/2005 12:00

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Quais os impactos econômicos e sociais da exportação de terneiros (gado em pé) para o Líbano sobre a cadeia produtiva do RS? Há risco de desabastecimento de carne no mercado, de prejuízo para os frigoríficos e de desemprego nas indústrias do Estado? É uma oportunidade de recuperação para os pequenos produtores gaúchos, um bom negócio para o setor? Estas são algumas das questões que serão debatidas na reunião extraordinária que a Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo (CAPC) da Assembléia Legislativa promove sobre o tema nesta sexta-feira (20), na Câmara de Vereadores de Pelotas.

Em março deste ano, bovinocultores da Metade Sul exportaram ao Líbano 10 mil novilhos pelo porto de Rio Grande numa transação que movimentou US$ 4 milhões. Na próxima sexta-feira, mais 10 mil animais, que estão sendo reunidos em Pelotas, serão embarcados aquele país.

Para o presidente da CAPC, deputado Elvino Bohn Gass (PT), a reunião naquele município será uma boa oportunidade para que a exportação de terneiros vivos seja observada criteriosamente. " É preciso observar alguns aspectos antes de termos uma conclusão sobre o assunto", destacou o presidente. Segundo ele, representantes de indústrias de carne temem a falta de animais para abate, de subprodutos como o couro e o sebo para outras indústrias, a redução de impostos e de empregos, como conseqüência da prática de venda dos animais ao mercado externo".
Já a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e alguns sindicatos rurais alegam que o preço pago pelos libaneses, em torno de R$ 1,56 por quilo vivo mais reembolso das despesas de frete, é muito superior ao oferecido pelo mercado gaúcho, que ofereceria, em média R$ 1,40 pela mesma quantidade de carne. Eles dizem que a venda do gado ao exterior pode ser uma alternativa para crise que o setor atravessa, a partir da redução da oferta do produto. De acordo com a Farsul, já houve exportação de quantidade semelhante de animais sem prejuízos às indústrias locais.

Bohn Gass alerta, porém, para a necessidade de checagem dos números referentes à quantidade de animais disponíveis para abate no RS. "Pela CPI das Carnes, da qual fui vice-presidente, conhecemos o tamanho da informalidade na cadeia de carnes gaúcha. Por isso, os valores reais do abate no Estado devem ser aferidos observando também a clandestinidade", lembrou o petista, para quem a reunião em Pelotas será propicia à confrontação de todas os setores e de todas as questões envolvidas no tema das exportações. "Reconhecemos a crise que a pecuária familiar enfrenta e a necessidade de apoio dos governos, mas também temos preocupação com os empregos dos trabalhadores urbanos e tudo o que pode implicar a prática de exportações dos novilhos gaúchos. Levaremos a Comissão à Pelotas para que indústrias, federações, sindicatos, produtores e comunidade sejam ouvidos e possam se manifestar sobre este tema", finalizou Bohn Gass.

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