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Comissão de Agricultura

20/05/2005 12:00

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Pecuaristas querem manter as exportações de gado em pé. A indústria exige o abate no Estado para posterior exportação do produto. O impasse foi tema da audiência pública da Comissão de Agricultura e Cooperativismo da Assembléia Legislativa realizada em Pelotas nesta sexta-feira (20). A reunião, coordenada pelo presidente da Comissão, Elvino Bohn Gass (PT), contou com a participação de representantes dos governos federal e estadual, de instituições financeiras, de indústrias e de produtores.

Neste ano, pelo menos em duas ocasiões, partiram carregamentos de gado vivo para o Líbano. Em março, foram embarcados no Porto de Rio Grande 9 mil novilhos. Neste mês, a operação se repete com a compra de cerca de 10 mil cabeças de gado pela empresa jordaniana Angus Trade. As vendas aqueceram o mercado pecuário gaúcho, prejudicado pela estiagem prolongada e descapitalizado para enfrentar o inverno. Só a primeira remessa movimentou US$ 4 milhões. Os jordanianos pagam R$ 1,56 pelo quilo vivo e reembolsam as despesas com frete contra R$ 1,40, valor médio praticado no mercado gaúcho. Além disso, os produtores recebem 48 horas depois da chegada da carne ao seu destino, contrastando com os 90 dias que a indústria local costuma levar para remunerá-los.

Bohn Gass considera que a exportação de gado em pé é uma solução paliativa para a cadeia da carne em um cenário de endividamento e descapitalização dos produtores. Para ele, a alternativa atende a necessidade emergencial dos produtores, mas não garante a reorganização da cadeia produtiva para agregar valor e gerar renda e emprego.

Na avaliação do petista, o impacto quantitativo das exportações, até agora, não é significativo. Alerta, no entanto, que se a modalidade persistir poderá afetar o nível de atividade das indústrias de carne e subprodutos, do emprego e da arrecadação do Estado. O risco é concreto já que há o anúncio de outras empresas exportadoras se instalarem na região para comercializar o gado gaúcho com a Argélia e mesmo com o Uruguai.

O representante do Ministério da Agricultura, Francisco Signori, afirmou que o governo federal vem adotando políticas de apoio à pecuária, especialmente na área de crédito para custeio. Segundo ele, o Banco do Brasil disponibilizou R$ 150 milhões para o RS nesta modalidade, sendo que 45 milhões já foram tomados. Ele defendeu também melhor distribuição da riqueza na cadeia produtiva. O produtor está recebendo pouco e o consumidor pagando muito pelo produto, frisou.

Bohn Gass cobrou do governo do Estado medidas efetivas para solucionar o impasse. Até o momento, não há sinalização de nada objetivo. Além de crédito, é preciso adotar medidas complementares nas áreas da comercialização, sanidade, assistência técnica e pesquisa, finalizou.

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