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Yeda e a segurança

17/07/2007 12:00

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Volto ao tema da segurança... São seis meses do governo Yeda e, nesta área, as coisas vão mal. No primeiro trimestre, só escândalos. Aos 100 dias, denúncias gravíssimas derrubaram Ênio Bacci, o homem que até aquele momento era tido pela própria Yeda como o secretário-modelo. Bacci foi demitido, voltou à Câmara já que é deputado federal, mas ao deixar o governo, saiu atirando. Deu a entender que a governadora protegia delegados corruptos. A bandidagem venceu foi a frase dele. Yeda não respondeu, não reagiu, não desmentiu. No Legislativo, o PT tentou trazer Bacci e os delegados acusados - Alexandre Vieira e Luis Carlos Ribas - para serem ouvidos na Comissão de Direitos Humanos. A base de Yeda não aceitou e o Rio Grande ficou sem as explicações. No balanço do segundo trimestre, o governo creditou o aumento dos homicídios ao elevado consumo de álcool. E o sub-comandante da Brigada, coronel Paulo Mendes, atribuiu a elevação no número de roubos de veículos ao fato de não haver uma legislação que consiga atingir a ferida, que são os desmanches. Mendes saiu-se com uma pérola da irresponsabilidade ao sugerir que a sociedade reaja a assaltos. Deveria ter sido demitido porque, enquanto o sub-comandante deseducava e expunha a população, nosso Estado assumia o primeiro lugar em roubo de veículos do país, superando até Rio e São Paulo. A conseqüência foi tão imediata quanto trágica: em Canoas, Novo Hamburgo e Santo Antônio das Missões, três pessoas que reagiram a assaltos foram assassinadas. Aos cidadãos, tem restado contar com as barreiras, ações necessárias mas insuficientes. Num final de semana, 35.700 pessoas foram paradas nas barreiras. O resultado? Seis (isso mesmo, 6!) armas ilegais recolhidas e cinco veículos furtados recuperados. É um saldo que demonstra, no mínimo, que a polícia não sabe onde está o problema. Falta inteligência, investigação, tecnologia e informação. Sem isso, só nos resta lamentar, por exemplo, os 54 assaltos a bancos ocorridos no primeiro semestre. Do mesmo modo, homicídios, furtos e roubos de veículos estão cada vez mais elevados. E vale lembrar que nestes casos, as vítimas são obrigadas a registrar ocorrência. Esses delitos servem, portanto, de parâmetro para medir a segurança social. O que me preocupa é que se analisarmos o Plano Plurianual (PPA) de Yeda, vamos ver que ela pretende investir R$ 623 milhões em segurança, mas só R$ 107 milhões são recursos do tesouro do Estado. O resto, como sempre, fica na conta do Lula. De novo, a bancada do PT agiu e apresentou emendas ao PPA possibilitando que o Governo revisse sua posição e propiciasse maior segurança aos policiais com a compra de coletes à prova de bala e rádios comunicadores. Recentemente, uma ocorrência atendida pela BM só não se transformou em morte para os policiais, porque um dos PMs tinha crédito no seu telefone e solicitou apoio que chegou a tempo de evitar uma tragédia. Outra emenda apresentada foi para a aquisição de um veículo de combate ao fogo para os bombeiros, pois se depender do governo do estado, não haverá nenhum caminhão novo nos próximos quatros anos. As emendas também não foram aceitas. Além disso, não há previsão de ingresso de novos policiais ou aumento de salários para esses servidores. E o que Yeda faz? Publica edital para contratação de 350 PMs Temporários ao invés de chamar os 1.400 candidatos aprovados em concurso público que estão aguardando nomeação. Meu querido companheiro Flávio Koutzzi chamava-os de PMs precários por causa da falta de preparo. Mas o governo Yeda, na segurança, é isso mesmo: precário. Aliás, precaríssimo.

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