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Nossos dias

19/07/2007 12:00

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Fraude - Há algumas semanas fui surpreendido com a descoberta, aqui na Assembléia Legislativa, da chamada Fraude dos Selos. Uma sindicância interna foi instalada e a Polícia Federal também está investigando o caso. Como os dois procedimentos são sigilosos, obviamente a imprensa tem tido dificuldades para obter novidades sobre o caso. Mas na última terça-feira, dia 17, Zero Hora trouxe a informação de que em seu depoimento, o senhor Ubirajara Macalão, réu confesso da fraude, havia envolvido sete ex-deputados estaduais na maracutaia. Estranho, muito estranho. Só ex-deputados? Huum, isto me cheira a diversionismo. Acho que estamos diante de uma manobra de Macalão para esconder os verdadeiros beneficiados pela fraude. Na Assembléia, cargos como o de Macalão, são decididos por acordo partidário. Sua indicação coube ao PTB... Quem, exatamente, escolheu este senhor para o cargo? Quando? Em quê circunstâncias? Não sou jornalista, mas sou leitor, ouvinte e telespectador. E penso que a mídia faria melhor papel se buscasse estas respostas ao invés de, simplesmente, reproduzir a versão de um fraudador confesso. E se tudo não passar de uma estratégia de defesa de Macalão? Compreendo que a dinâmica da imprensa exige fatos novos todos os dias. Mas também compreendo a indignação daqueles cujos nomes podem ter sido envolvidos gratuita e espertamente neste escândalo. Nos resta confiar nas investigações. Quem errou deve pagar, seja quem for.

Tragédia - E por falar em culpa, o que tem de especialista nesta história do acidente do avião da TAM, é impresssionante. No primeiro dia, a tese mais forte era de que acidente fora causado pela a falta de um equipamento de segurança (grooving, uma espécie de ranhura que ameniza e atenua a derrapagem) na pista. Muita gente saiu acusando autoridades do setor aéreo (e Lula por tabela) por terem liberado a pista sem o grooving. No dia seguinte, porém, descobriu-se que o avião aterrisou numa velocidade muito acima do normal, ou seja, nem que houvesse o tal grooving o acidente teria sido evitado. De minha parte, prefiro aguardar todas as perícias técnicas a engrossar o coro daqueles que usam a dor alheia para delas tirar proveito político.

Vaias - E a propósito de coros, recorro à sabedoria de Verissimo, que em sua coluna na edição do jornal Zero Hora de hoje, escreve: ...No Brasil do Lula é grande a tentação de entrar no coro que vaia o presidente. Ao seu lado no coro poderá estar alguém que pensa como você, que também acha que Lula ainda não fez o que precisa fazer e que há muita coisa a ser vaiada. Mas olhe os outros. Veja onde você está metido, com quem está fazendo coro, de quem está sendo cúmplice. A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece. Enfim: antes de entrar num coro, olhe em volta. Bravo, Verissimo!

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