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INsegurança

27/07/2007 12:00

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Leio nos jornais que mais dois policiais militares foram covardemente assassinados no Estado. Eram PMs que serviam à comunidade de Viamão e, segundo a imprensa, os ladrões perceberam que suas vítimas não eram cidadãos comuns, mas agentes dos órgãos de segurança, e só por isso os teriam matado. Obviamente, compreendo que não haja uma simpatia natural entre ladrão e polícia. Mas a gente sabe: o assalto é o último estágio do ladrão que, geralmente, começa praticando pequenos furtos e evolui para o roubo à mão armada. Quando toma coragem para assaltar, o sujeito já não tem mais muito a perder. Sabe que estará cara a cara com sua vítima e, portanto, sujeito à reação. Significa que um assaltante convive com a possibilidade, sempre iminente, de balear e de ser baleado. Mas o assaltante também sabe que a pena para quem rouba, é menor do que a imposta a quem mata. E, portanto, matar é quase sempre, mesmo para os ladrões, a última alternativa.

Digo isto porque acredito, sinceramente, que quando a Polícia age com violência (e que não se diga que quero tratar bandido a pão de ló; nada disso, sou a favor de que o criminoso seja punido com rigor, seja ele quem for), acaba ensejando ainda mais violência. Polícia boa não é, para mim, a que mata, mas a que investiga e prende. Polícia, para mim, é agente de segurança, não do contrário.

Temo que os discursos oficiais que vigoraram no governo Rigotto e que ganharam ênfase nos primeiros meses do governo Yeda, sempre com frases de efeito do tipo vamos desamarrar as mãos da polícia (José Otávio Germano, secretário de Segurança de Rigotto) e bandido deve ser tratado como bandido (Ênio Bacci, primeiro secretário de Segurança de Yeda), ao invés de uma idéia de segurança à população, tenham acirrado ainda mais os ânimos dos dois lados (polícia/bandido) de uma guerra onde ninguém ganha nada e todos morrem.

Não por coincidência, desde o governo Rigotto o número de policiais mortos no Rio Grande do Sul vem crescendo. Há quem diga que isto foi resultado de uma ação mais rigorosa da Polícia. Eu prefiro considerar que é resultado de uma ação mais desastrosa dos comandos.

Nestes sete meses de governo Yeda, dez policiais militares e um civil morreram em serviço. Neste mesmo período, 12 servidores da segurança pública foram feridos. Some-se a isso a falta de valorização do funcionalismo e a ausência de equipamentos mínimos de segurança (rádios, coletes, viaturas, rádios) e se terá montado o cenário ideal para a mais trágica das peças que a vida nos prega: o avanço desenfreado da criminalidade.

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