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"Enturmação"

31/07/2007 12:00

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Uma chaga que se abrirá no processo educacional gaúcho, transformando alunos em meros números e expondo os professores, cujas condições de trabalho e salariais já são horríveis, a um nível ainda maior de estresse do que o atual que já é altíssimo. Estas serão as conseqüências imediatas da enturmação, uma diabólica orientação da Secretaria Estadual de Educação para que as coordenadorias regionais reduzam o número de turmas no Ensino Médio a partir do segundo semestre deste ano. Mas a chamada enturmação terá ainda outras conseqüências mais cruéis: a queda, inevitável na qualidade no ensino público estadual gaúcho, o aumento da evasão e do índice de repetência. Isto porque numa turma com 50 pessoas, o atendimento individualizado, a aprendizagem, a verificação dos conteúdos e a interação professor-aluno ficam inviabilizados. Na prática, a enturmação vai reduzir a quantidade de turmas e ampliar o número de alunos por sala. Caracterizo a medida como diabólica porque quem já esteve à frente de uma turma de 50 alunos, sabe que o ambiente da sala de aula, se torna, inevitavelmente, infernal. É uma atitude perversa, típica decisão de gabinete tomada por quem desconhece a realidade das escolas do Estado que hoje, têm carência de professores e de espaço físico. Pois a governadora faz exatamente o contrário: diminui os professores em entulha alunos nas salas. O mais grave é que enquanto Yeda piora as condições de trabalho dos professores com idéias esdrúxulas como esta, seu governo nem pensa em melhorar as condições salariais do funcionalismo. A base aliada da governadora na Assembléia Legislativa aprovou o seu projeto de Plano Plurianual (para os próximos quatro anos), onde a receita prevista não dá conta nem do crescimento vegetativo da folha de pagamento e muito menos fala em reajustes que reparem a inflação do período. Ou seja, a posição oficial da governadora Yeda não passa nem perto da posição da candidata Yeda que, em campanha, prometeu fazer mais com menos e tratar os funcionários com respeito. Ora, submeter professores a turmas de 50 alunos, não pagar salários em dia e ainda não repor a inflação nos vencimentos é arrocho. E arrocho é desrespeito, não o contrário.

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