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Pacotaço

25/10/2007 12:00

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Participei, hoje, da audiência pública da Comissão de Agricultura da Assembléia que avaliou o impacto do pacotaço de Yeda no setor agrícola. Saí mais convencido do que já estava (se é que isso é possível) de que as medidas apresentadas pelo governo tucano para resolver a crise, se aprovadas, terão efeito recessivo na economia do Rio Grande. Reproduzo aqui algumas manifestações para que os leitores deste blog tirem as suas conclusões:

- Valmor Marchetti, professor de Economia da UFRGS que realizou estudos técnicos sobre os efeitos do pacotaço nas cadeias do leite e da carne: Estes setores perderão mercado, renda e diminuirão sensivelmente o número de empregos. O mais grave é que estes setores estão entre os mais dinâmicos e produtivos do Estado porque geram renda e trabalho direto e indireto. Assim, tudo o que acontecer a estes setores, de bom ou de ruim, se transfere na proporção de três vezes para os demais".

- Rogério Kerber, diretor executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Suínos no Estado: manifestou preocupação com o efeito dos aumentos de impostos na competitividade interna e externa da carne e dos embutidos do porco.

- Ronei Lauxen, presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do RS: "A proposta do governo significará um aumento direto de 60% na carga tributária de nosso setor e isto será insuportável."

- Renato Caiaffo da Rocha, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do RS (Federarroz): "O arroz vem operando no vermelho e aprovar o aumento direto do ICMS, da energia elétrica, do óleo diesel e o fim dos créditos presumidos será como tirar o sangue de um doente."

- Luiz Fernando Roos, presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav): garantiu que as medidas propostas pelo governo vão gerar uma oneração imediata que pode paralisar quase a metade da atividade avícola gaúcha. "Não aprovem isso, senhores deputados".

- Walter Beiser, presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação do RS: disse que as indústrias de alimentos enfrentam, hoje, um grave problema de competitividade por conta da informalidade local e dos principais mercados concorrentes. "Se os deputados aprovarem esta lei, estarão aumentando ainda mais a diferença entre o formal e o informal. "Se isto acontecer, empresas fecharão".

- Cairo Fernando Reinhardt, presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação no RS: "Este pacote estourará nos trabalhadores. Já temos notícia de empresas que estão dando férias coletivas até que se defina a posição sobre o pacote porque há um temor geral sobre os contratos das empresas de que os custos aumentem. Além disso, já há empresas com programas de demissão voluntária. Hoje, são 300 demitidos mas a estimativa é de que se o aumento de impostos for aprovado, pode chegar a 30 mil. O pacote é recessivo porque vai incidir na cesta básica".

- Cláudio Amoretti Bier, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do RS (também é presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas Agrícolas): "Qualquer aumento de impostos atrapalha o Estado, tira competitividade e a capacidade de investimentos. Somos contra."

- Vergílio Perius, presidente do sistema Organização das Cooperativas do Estado do RS: "Temos posição sobre o pacote. O cooperativismo diz não".

- Elton Weber, presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Gaúcha (Fetag): "Se o pacote passar, os custos serão repassados ao agricultor que produz carne, leite, ave. É a produção primária que será mais sacrificada e é ela quem fornece a matéria-prima para a indústria. No final das contas, todos pagam mais, inclusive o consumidor".

Meu comentário final: depois de ouvir tudo isso, houve deputados que se mantiveram em cima do muro com relação ao voto que darão aos projetos do pacotaço. Espero que todas as entidades que se manifestaram hoje façam chegar a todos os deputados da base aliada de Yeda um pressão tão forte que possa sensibilizar estes parlamentares porque, pelo que temos ouvido dos partidos de situação, mesmo sendo recessivo, o pacotaço passa. Então, à luta senhores empresários, sindicalistas e produtores.

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