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A culpa NÃO é do PT

20/11/2007 12:00

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uito esclarecedor o texto que li agora há pouco no blog www.rsurgente.zip.net sobre a inversão de responsabilidades sobre a crise financeira do Estado. Lembrei-me da passagem bíblica que diz "quem pariu Mateus que o embale". Mas o texto é tão bom que dispensa outros comentários...

A CULPA É DO PT

A charge da página 3 da edição desta terça-feira do jornal Zero Hora, assinada por Marco Aurélio, ilustra o discurso assumido pela governadora Yeda Crusius (PSDB) e pelo senador Pedro Simon (PMDB) após a derrota do pacote do governo estadual na semana passada. Na charge, a governadora manda um recado ao funcionalismo público: Peçam para o PT o 13°. É isso então, servidores, diz o desenho: se ficarem sem 13°, vão reclamar para o PT, culpado pela não aprovação do tarifaço. Ou, como disse o senador Simon, Olívio Dutra deve ir a Brasília conseguir dinheiro para o Estado, uma vez que cometeu a grosseria de não querer conversa com Yeda. Seria cômico se não fosse trágico. Passados cinco anos do governo Olívio, este segue sendo o único a quem são atribuídas, nominalmente, responsabilidades pela crise no Estado. No caso dos governos Rigotto e Yeda, os problemas são estruturais, vêm de décadas, e ninguém é responsabilizado por nada. No caso do governo Britto, é pior ainda: tudo se passa como se não tivesse existido e não guardasse nenhuma relação política com estes governos.


A memória política do Estado é escamoteada diariamente. Qual foi o crime do PT, agora, conforme expressa a charge de ZH? Não quis conversar com Yeda sobre o pacote. A cobrança é duplamente absurda. Em primeiro lugar, porque tais conversas de Yeda com ex-governadores não passaram de um truque desesperado de marketing sem qualquer eficácia. A governadora teria aproveitado melhor seu tempo conversando com sua base aliada no Parlamento que esfacelou-se no dia da votação. Culpa do PT, certamente. Em segundo, porque Yeda foi eleita para governar o Estado porque prometeu que tinha um novo jeito de governar, distinto de todos os anteriores, que seria a salvação para a crise do Estado. Se o novo jeito de governar não consegue governar nem sua base de apoio, qual a utilidade de conversar com o presidente do principal partido de oposição, a não ser tentar angariar algumas gramas de legitimidade através de uma foto nos jornais.

É uma regra básica da democracia que, quem vence governa, quem perde faz oposição. Por isso, são patéticas essas manifestações cobrando que a oposição governe e resolva os problemas. Yeda Crusius foi eleita para isso. Se acha que não dá conta do problema e exige que a oposição faça o trabalho para o qual foi eleita, que renuncie e vá para casa. Quando governador, Olívio Dutra foi criticado em editoriais na mídia gaúcha por denunciar o tratamento dispensado ao Estado pelo governo FHC. É uma boa hora para resgatar esses textos. O governador foi eleito para governar e para encontrar soluções e não para ficar só reclamando da União, dizia-se então. Agora, o discurso se inverte com contornos surreais. O atual governo e seus porta-vozes na mídia cobram soluções do PT e do governo federal, justamente no momento em que a quase totalidade dos grandes investimentos no Estados são do governo federal. Cultivar a memória, neste contexto, tornou-se uma obrigação diária.

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