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O silêncio da governadora

20/11/2007 12:00

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O Rio Grande ficou estarrecido com a descoberta, pela Polícia Federal, de uma fraude no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). A direção do Detran teria arrombado os cofres públicos em R$ 40 milhões! Isso, num Estado que vive uma crise financeira sem precedentes com a qual o governo tenta justificar, inclusive, atrasos de salário e paralisia de serviços. Segundo a denúncia da Justiça Federal, o nosso Estado estaria sendo lesado periodicamente, entre outros, por um dos coordenadores da campanha da governadora Yeda Crusius. Lair Ferst, preso pela PF, é membro do diretório gaúcho do PSDB. Conforme a Justiça, na fraude do Detran atuava como lobista de empresas terceirizadas por ser "homem de influência nos órgãos estaduais" e estaria envolvido com empresas laranja.

Em nota oficial, a Justiça Federal explicou as razões das prisões. As investigações iniciadas em maio deste ano e robustecidas por gravações telefônicas, imagens e documentos, reuniram fortíssimos indícios da prática de crimes de estelionato, corrupção, sonegação, tráfico de influência e formação de quadrilha. A governadora não está diante apenas de um problema moral. Pela estatura dos envolvidos, as respostas que precisa dar são de caráter político, econômico e histórico.

Entre os presos e indiciados, estão nomes que ocupam postos-chave em partidos políticos e poderes estaduais há muito tempo: Vaz Netto, nomeado por Yeda para comandar o Detran, esteve no primeiro escalão dos governos de Jair Soares, Britto e Rigotto, além de ter sido chefe de gabinete da presidência do Legislativo; Antônio Dorneu Maciel, ex-diretor-geral da Assembléia e até ontem diretor administrativo-financeiro da CEEE. Aliás, que papel desempenhava na fraude um diretor de uma companhia que nada tinha a ver com o Detran?

Estamos diante do maior caso de corrupção pública da história do Estado. E até agora, nenhuma palavra da governadora. Quem responde, afinal, pelo que está acontecendo no Estado? Quem indicou Vaz Netto e Maciel para os seus altos cargos? Que tipo de influência Lair Ferst exercia no governo? Yeda sabia? A governadora não cansa de falar em cofres vazios, mas emudece sobre as denúncias de saque do Estado. Ao pretender impor ao povo gaúcho o sacrifício de mais um tarifaço, Yeda deveria, antes, manter uma relação de transparência com a sociedade. A sua mudez diante da fraude no Detran é um desrespeito à consciência do povo gaúcho.

* Deputado, vice-líder da bancada estadual do PT/RS

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