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Operação Golfinho

16/01/2008 12:00

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"Guaritas vazias na praia; alunos com poucos meses na escola da Brigada no policiamento de rua e falta de treinamento para salva-vidas fazem desta a pior Operação Golfinho de todos os tempos."

"Os veranistas que escolheram o Litoral Norte gaúcho para passar as férias estão correndo riscos no mar e na terra. No mar, porque faltam quase 100 salva-vidas e há 69 guaritas vazias. Em terra, porque brigadianos com apenas dois meses de treinamento estão atuando no policiamento na chamada "Operação Presença". Esta foi a conclusão a que chegou o vice-líder da bancada do PT, deputado Elvino Bohn Gass (PT), após ter recebido, de um grupo de brigadianos, várias denúncias desta que seria, segundo os policiais, "a pior Operação Golfinho de todos os tempos".

Bohn Gass afirma que, normalmente, a Brigada Militar tem uma previsão de utilizar 710 salva-vidas em todo o Litoral Norte mas que, neste veraneio, só 620 estão trabalhando, incluídos aí os cerca de 50 civis contratados temporariamente. "Para nos deixar ainda mais inseguros, fiquei sabendo que o treinamento dos salva-vidas, que tradicionalmente começava em novembro, desta vez só iniciou na metade de dezembro. E os civis contratados temporariamente vão seguir em treinamento até janeiro, ou seja, até a metade do veraneio. Isso tudo em nome de uma economia de alguns reais, ou seja, mais uma vez Yeda faz economia às custas da vida do povo gaúcho."

"Vai morrer gente"

Ainda conforme o deputado, os PMs disseram que a preocupação com o treinamento já foi levada ao Comando Geral da Brigada Militar. "E sabe qual foi a resposta que obtiveram: que soldado que é soldado deve estar sempre preparado. Só faltou explicar como é que um PM do interior vai manter seu treinamento em dia. Ora, nem mesmo aqueles que já moram no Litoral têm condições de treinar, porque durante o ano atuam no policiamento ou como bombeiros".

O deputado vai cobrar medidas imediatas do Comando Geral da Brigada. Segundo ele, há muitos PMs do interior que já atuaram como salva-vidas, mas que não foram chamados para o serviço. Segundo ele, "o governo prefere colocar vidas em risco a pagar alguns reais a mais no salário de profissionais experientes."

Por fim, Bohn Gass denuncia que para disfarçar a falta de pessoal, a Operação Golfinho tenta ludibriar os banhistas. "O esquema é o seguinte: a guarita que hoje tem salva-vidas, amanhã não tem. E a que ontem estava vazia, hoje aparece guarnecida. Um experiente salva-vidas, visivelmente assustado, foi explícito: "Deputado, o pior é que a gente sabe que vai morrer gente!"

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