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Educação

13/02/2008 12:00

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O vice-líder da bancada do PT na Assembléia Legislativa, deputado Elvino Bohn Gass, enviou um pedido de informações à secretária estadual de Educação, Mariza Abreu, para conhecer, em detalhes, o plano de fechamento de escolas e redução de turnos e turmas nas escolas estaduais da grande Santa Rosa e das Missões. "A única informação que a sociedade tem até agora, e assim mesmo pela imprensa, é de que escolas serão fechadas, turmas serão reduzidas e turnos serão suprimidos, ou seja, haverá uma redução na oferta de ensino público por parte do Estado. Queremos que a secretária justifique estas medidas, escola por escola, turma por turma", diz o deputado.

Bohn Gass vem recebendo em seu gabinete muitas reclamações de professores, funcionários de escola, pais e alunos sobre o que eles e o deputado consideram "desmonte da rede estadual" e que vem sendo patrocinado pela Secretaria de Educação do governo Yeda. "Não há diálogo com a comunidade escolar. São decisões tomadas em gabinetes e sustentadas apenas no "discurso da crise" que o governo tucano adotou para justificar qualquer medida, boa ou má, certa ou errada", diz o parlamentar.

Os EJAs e a enturmação - As preocupações de Bohn Gass, contudo, vão além do fechamento de escolas. Ele cita o caso da Escola Estadual de Educação Básica Cruzeiro, em Santa Rosa, onde o núcleo de Ensino de Jovens e Adultos (EJA) não abriu novas matrículas para 2008. "O Estado simplesmente desconsidera a grande demanda de pessoas que querem ser alfabetizadas", denuncia o deputado. Na mesma escola, há ainda outro problema grave: "Sabemos que o Estado pretende suprimir o turno da noite justamente numa escola que atende mil alunos, entre eles centenas de homens e mulheres que trabalham durante o dia," conta Aládio Kotowski, do Núleo de Santa Rosa.

Em contato com o Núcleo do CPERS de Santo Ângelo, o deputado soube que a comunidade escolar já denunciou ao Ministério Público o que considera uma medida autoritária deste governo: o iminente fechamento de cinco escolas do interior do município, dois núcleos do EJA noturnos e uma escola urbana."Foi através da imprensa que a comunidade escolar soube desta ameaça", contou Marlene Stocchero, integrante do Núcleo, justificando a medida preventiva. O Sindicato argumenta que o fechamento das escolas poderá estimular o êxodo rural, o que contraria a proposta do Conselho Nacional de Educação de fixar o homem no campo; além de afastar os estudantes da cultura e história onde estão inseridos e expô-los a perigos decorrentes de um percurso mais longo de casa à escola mais próxima. "Fechar uma escola é retirar uma das maiores referências de uma comunidade. Não se fecham escolas como se fossem armazéns", compara o deputado.

"Não bastassem todas estas ameaças, o governo Yeda ainda vem pressionando municípios para que assumam a parte de educação infantil que hoje cabe ao Estado e este é um sinal evidente do desmonte da estrutura pública de ensino em nível estadual," diz Bohn Gass. O coordenador do Núcleo do CPERS de Três de Maio, Marino Simon, concorda com o deputado. Segundo ele, os professores temem que aconteça um efeito cascata, ou seja, uma vez desobrigado da educação infantil, o próximo passo seria a não formação de novas turmas de ensino básico e o conseqüente desemprego de professores. "Estamos sugerindo que as prefeituras não assumam a educação infantil", finaliza Simon.

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