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CPI do Detran

20/03/2008 12:00

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Foi uma semana cheia esta que antecede a Páscoa. Já na segunda-feira ouvimos, na CPI do Detran, Carlos Ubiratan dos Santos, presidente da autarquia em todo o governo Rigotto. Homem intimamente ligado ao deputado federal José Otávio Germano (que, aliás, o indicou para o cargo e fez questão de dizer que era de sua extrema confiança), "Bira", como é mais conhecido, foi preso pela Polícia Federal porque é suspeito de ser um dos comandantes da Fraude do Detran, um rombo nos cofres públicos estimado em R$ 40 milhões.

Na CPI, fez jus à sua trajetória de ex-integrante da Arena, o partido da ditadura: mostrou-se arrogante, irônico e autoritário. Chegou dizendo que iria "falar tudo" mas não falou nada. Quando confrontado com evidências graves de sua participação na fraude, apelou para teses que caem de podre ou para a falta de memória, um comportamento típico de quem tem muito a esconder.

A mulher e a fraude - A esposa de Ubiratan, advogada Patrícia Bado dos Santos, era sócia de uma empresa chamada NT Pereira. Esta empresa foi contratada pela NewMark. E a NewMark foi contratada pela Fatec, a fundação usada pela quadrilha para roubar o Detran. A suspeita é de que a NT Pereira tenha sido criada, inclusive, apenas para escoar a propina do Detran. Mas Ubiratan não tinha nada a dizer sobre isso. Insistia na tese de que o Detran não tinha nada a ver com as empresas contratadas pela Fatec. Então tá...

A mulher e o empréstimo - Na condição de sócia da NT Pereira, dona Patrícia emprestou ao marido (Bira), a módica quantia de R$ 550 mil. Isso mesmo, mais de meio milhão de reais! Já se sabe que a NT Pereira era uma empresa cujos ganhos vinham todos do contrato com a NewMark e que os ganhos da NewMark vinham todos da Fatec, fundação que ganhava milhões do Detran. Assim, fica evidente que o dinheiro da NTPereira saía, na verdade, do Detran. E fica quase óbvio que o empréstimo feito a Ubiratan foi com dinheiro do departamento que ele presidia. Aliás, há muitas dúvidas se o que aconteceu foi mesmo um empréstimo ou um simples repasse de propina. Mas Ubiratan não achou nada disso estranho...

A mulher e o advogado - Dona Patrícia também foi presa. Também pudera. Além das suspeitas já mencionadas aí acima, a tal empresa NT Pereira usava como endereço, o escritório de um advogado que também trabalhava para o Detran e que defendeu Carlos Ubiratan em algumas causas judiciais. Deu para perceber? O advogado atendia o Detran, portanto ganhava dinheiro do Estado. No mesmo momento, emprestava o endereço para a esposa do presidente do órgão a que servia. Uma beleza esta amizade toda, não é mesmo? Pois é, mas nem isso Ubiratan achou estranho. Para ele, tudo foi feito dentro da lei. Só a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o Ministério Público de Contas e a Receita Federal é que acharam tão estranho que prenderam ele próprio e sua suspeitíssima esposa.

O outro algemado Na próxima segunda-feira, quem depõe na CPI é Flávio Vaz Netto, do mesmo PP de Bira e José Otávio e presidente do Detran no governo Yeda. Segundo o superintendente da Polícia Federal, delegado Ildo Gasparetto, a fraude no Detran foi descoberta enquanto estava em andamento. E quem presidia o órgão quando a quadrilha foi descoberta era justamente Vaz Netto. Numa entrevista há poucos dias, Vaz Netto disse que seu depoimento na CPI não teria qualquer novidade e que tudo o que ele fez à frente do Detran foi legal. O que estamos apurando - e a Polícia Federal já tem provas - é o que foi feito por trás. E a responsabilidade política destes atos.

BOA PÁSCOA a todos.

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