Cadastra-se para receber notícias
Sobre dossiês e cartões corporativos

22/04/2008 12:00

Tamanho da fonte

Hoje, reproduzo aqui um trecho de uma entrevista que o deputado Ciro Gomes (PSB) concedeu, no último dia 14, ao Jornal do Comércio. Ciro tem sido um aliado do governo Lula, já foi ministro no primeiro mandato e hoje está na Câmara de Deputados. Pode até se tornar um adversário de um eventual candidato petista na próxima eleição presidencial e pode também acabar concorrendo contra a ministra Dilma Roussef, até agora uma mais cogitadas para representar o PT no próximo pleito nacional. Mesmo assim, o deputado mostrou-se republicano ao falar sobre a tentativa que a mídia tem feito de responsabilizar Dilma pela elaboração de um dossiê com os gastos pessoais de Fernando Henrique e sua família com cartões corporativos ao tempo em que ele era o presidente. Vale a pena ler a resposta...

JC - Como o senhor tem acompanhado a polêmica sobre o dossiê?

Ciro - Primeiro é preciso dizer que Dilma é mencionada como possível sucessora de Lula. A partir daí, existe um centro clandestino no conservadorismo brasileiro, cujo epicentro é a oligarquia de São Paulo e sua fração de influência na mídia, que quer subtrair da população esse julgamento. Na política brasileira, todo mundo é pilantra até que se prove o contrário. A democracia só não acaba porque o povo, ao fazer esse juízo generalizante, isola fulanos, beltranos e sicranos. Senão, a democracia acabaria aí mesmo. Essa é a premissa do golpe de 1964, feito com um discurso moralista igualzinho. Os políticos estão sob suspeita. Então, você pega uma coisa qualquer e joga. Quando é sob uma instituição, ela se recicla. Quando é uma pessoa, ela pode ser destruída. Isso é fascismo do mais puro calibre. A Dilma é decente, trabalhadora, patriota, está a serviço do País 24 horas por dia sem descanso. É a principal gestora do governo, hoje mencionada como possível candidata por merecimento. Então, vamos tratar de detoná-la. Quem fala desse assunto? A revista Veja, que publicou uma capa dizendo que o PT iria receber o dinheiro de Cuba, e que se provou falso e ela nunca pediu desculpas ou se desdisse. Que disse que o PT recebeu o dinheiro das Farc, o que se provou falso, e também nunca pediu desculpas. É a liberdade de imprensa, mas a contratação de liberdade é responsabilidade. Se ela (a Veja) quer assumir em editorial que é contra nós, está tudo certo. Vai ficar com equilíbrio, como a defesa da moralidade. A Casa Civil, que é chefiada pela Dilma, é a guardiã institucional dessas informações nos cartões corporativos. A Dilma tem não só o direito, mas o dever, de ter a senhoria dessas informações. Se a oposição, PSDB, DEM, levanta um escândalo contra o governo Lula, em relação aos cartões corporativos, o que não se perdoa... O cara comprar tapioca com cartão corporativo a R$ 8,00 não é corrupção, mas uma frouxidão moral que não se deve praticar. Quem vaza isso para a revista Veja? É o que a inteligência brasileira precisa saber porque sumiram com essa informação. Quem vazou o dossiê para a revista Veja é o senador Álvaro Dias do PSDB do Paraná. Recapitulemos: a ministra Dilma, para ofender o PSDB e a oposição, quebrou o dever funcional de sigilo das informações que estão sob sua guarda e, para fazer esse serviço porco, chamou Álvaro Dias, violento adversário nosso, pedindo a ele, naturalmente com discrição, que entregasse para a revista Veja. Venha com outra.

Compartilhe:

  • Facebook
  • Share on Twitter