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Yeda, a casa e a CPI

23/04/2008 12:00

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Desde que veio a público a história de que a governadora Yeda Crusius comprou, logo depois que foi eleita, uma mansão que deve estar valendo 1 milhão de reais, os gaúchos ficaram com uma pulga atrás da orelha. Como é que Yeda, que disse na campanha, que estava sem dinheiro, pode comprar uma casa tão valiosa logo após o final do pleito? Esta mesma dúvida tem sido manifestada por nós, deputados, que com a experiência que temos em campanhas eleitorais, sabemos como o período pós eleição é difícil do ponto de vista financeiro.

Processe-me, governadora! - Bem, o tema começou a ser tratado pela imprensa exatamente no meio da CPI que investiga o destino do dinheiro - mais de 44 milhões de reais - que foi roubado dos cofres públicos através da fraude do Detran. Vale dizer que alguns depoimentos tomados na Polícia Federal na investigação desta fraude, dão conta de que a maracutaia se destinava a extrair propinas para pessoas, para partidos e para o governo. Mas em momento algum, qualquer membro da CPI afirmou que a casa da governadora tinha algo a ver com a propina do Detran. Mesmo assim, Yeda tem se mostrado irritadíssima com o tema, deu explicações - pouco convincentes, é verdade - sobre como adquiriu a casa. Agora, ela anuncia que vai processar o deputado Fabiano Pereira, presidente da CPI, por ele ter estranhado a compra da casa logo após a eleição. Vale dizer que Fabiano não acusou a governadora de nada e nem sequer relacionou a fraude com a residência. Mesmo assim Yeda quer processá-lo. Ora, é uma nítida tentativa de intimidação que nós, membros da CPI e companheiros de partido de Fabiano, não aceitamos. Se Yeda quer processá-lo por ter estranhado, quero ser processado também. EU TAMBÉM ACHO ESTRANHÍSSIMA ESTA HISTÓRIA DA CASA. Por isso, digo à governadora: processe-me também!

Entrevista reveladora - Todo mundo já sabe que o forte da governadora não são as entrevistas (lembram das barbaridades que ela disse ao Jô Soares?), mas hoje, na Rádio Guaíba, ela tornou a história da casa, ainda mais suspeita. Senão, vejamos:

- Yeda afirmou que quando trocou o Detran da Secretaria e Segurança para a Secretaria de Administração, disseram que ela estava mexendo com interesses muito fortes. Quem disse isso, senhora governadora? Que interesses são esses, afinal?
- Yeda perguntou indignada: O que tem a ver esta CPI, que nasceu no final do ano passado com a compra da minha casa? Eu respondo: a princípio, nada, senhora governadora. Estranho é que a senhora esteja fazendo esta vinculação.
- Yeda disse ainda: Comprei uma casa aqui, porque não dá para morar no Piratini, e a governadora não pode morar em um apartamento de um quarto. Sinceramente, não entendo porque não dá para morar no Piratini e menos ainda porque ela não pode morar num apartamento de um quarto. Eu até acho que um quarto é pouco mesmo para uma governadora que tem marido, filhos, gatos de raça e... documentos, muitos documentos. Mas daí a isso justificar a compra de uma mansão que vale 1 milhão de reais?! Ah! Não me venha com esssa, senhora governadora. Se a senhora quer morar em mansão que more, mas assuma a sua vaidade.

Solidária Yeda - Por fim, quero dividir com meus leitores neste blog, outro estranhamento que tenho. Yeda tem criticado duramente a CPI e, volta e meia, até o trabalho da Polícia Federal. Curioso é que, enquanto faz isso, solidariza-se com indiciados como Flávio Vaz Netto. Ou seja, ela bate em quem investiga e afaga quem é acusado de roubo. Estranho, muito estranho, não é mesmo?

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