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Grande Santa Rosa

28/04/2008 12:00

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Projetos de irrigação eficientes, o uso sustentável da matriz energética e a diversificação de culturas são fatores imprescindíveis para o fortalecimento da região Noroeste frente às mudanças climáticas. Estes foram os principais pontos destacados no Seminário Mudanças Climáticas e Sociedade Impactos e perspectivas na Região Noroeste do RS, promovido pelo deputado Elvino Bohn Gass (PT), na sexta-feira (25), no Centro Cívico Cultural de Santa Rosa.

Como encaminhamento do evento, o parlamentar se reunirá com o secretário especial de Irrigação Rogério Porto para saber que medidas a secretaria estará tomando neste sentido. "É coerente para uma região assolada por secas ter irrigação, armazenamento de água, represamento e cisternas. Surpreende que ainda não haja nenhum projeto concreto em andamento no RS. Temos de saber quando e como o Noroeste gaúcho será contemplado com o Plano de Irrigação prometido por este governo", explicou o deputado a participantes que reclamaram da ausência de propostas estaduais destinadas à irrigação na Grande Santa Rosa.

Segundo o geógrafo do Núcleo de Pesquisas Climáticas e Antárticas da UFRGS, Ricardo Burgo Braga, a região Noroeste sempre foi corredor de mudanças climáticas. No entanto, estas mudanças estão se tornando mais significativas e freqüentes. Ele acredita que, a exemplo do que acontece no EUA, é a comunidade quem deve se estruturar para demandar do poder público as medidas necessárias ao enfrentamento das alterações do clima. "O plano diretor, por exemplo, é uma questão que não deve ser considerada meramente de exploração imobiliária. Há que se considerar os fatores ambientais e climáticos na projeção das cidades", alertou.

Para o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas, Clênio Pillon, um dos principais problemas é a intervenção equivocada do homem no ciclo do carbono, ocasionando a concentração de gases como CO2 na baixa atmosfera, responsável por 55% do efeito estufa. Ele associa as mudanças climáticas à ineficiência do uso da matriz energética, hoje baseada na queima de combustíveis fósseis. Pillon contou que o Brasil participa da elaboração de um inventário das emissões de gases de efeito estufa, um esforço mundial que pretende quantificar e saber quais são as fontes e os gases poluidores para determinar como e onde deve haver intervenção. O país é o 4º maior emissor mundial destes gases, cuja lista é encabeçada por EUA, seguido da União Européia e China.

Alternativas

Pillon aponta a diversificação da matriz produtiva como uma importante medida para a região. Segundo o pesquisador, a produção de biocombustíveis e alimentos é uma das melhores alternativas disponíveis na atualidade. Ele cita as culturas de Mamona, pinhão manso, girassol, batata/doce/mandioca, cana de açúcar como opções mais resistentes à seca, e que rendem grandes teores de óleo/etanol por hectare. "Mais de 90% do etanol que o RS consome vem de fora", lembrou. Pillon destacou ainda pesquisas da Embrapa para o desenvolvimento de rotas para insumos agrícolas, para reduzir a dependência de combustíveis fósseis; desenvolvimento de sistemas sustentáveis de manejo; incentivo à difusão do plantio direto; ordenamento da atividade agrícola de modo a aproveitar as características regionais de solo e clima; e estímulo a projetos de captação de Metano nas lagoas de dejetos de suínos, para promover a redução de dióxido de carbono, que poderá ser vendido no mercado de créditos de carbono).

Condições favoráveis

Para o delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário no RS, Nilton Pinho de Bem, não existe solução mágica para as regiões. "A política pública mais perfeita não resolve questões de estrutura se as comunidades não tiverem um projeto próprio", alertou. Segundo ele, o governo Lula possui um conjunto de ações significativas como o Seguro Agrícola, Pronaf, programas de incentivo à extensão rural e assistência técnica, à instalação de micro destilarias, às agroindústrias, etc. "A comunidade e cada um deve ter o compromisso de construir o plano de desenvolvimento da região. O Ministério já possui uma série de políticas que podem contribuir neste sentido. Basta que haja organização da coletividade para acessá-las", concluiu.

Abertura

O Seminário Mudanças Climáticas e Sociedade Impactos e perspectivas na Região Noroeste do RS teve abertura às 10h, com os discursos de boas vindas do idealizador do evento e coordenador do debate, deputado Elvino Bohn Gass (PT) e do prefeito de Santa Rosa, Alcides Viccini (PP), para uma platéia de mais de 600 pessoas que lotaram o Centro Cívico Cultural. Estavam presentes ainda o presidente da Associação dos Municípios da Grande Santa Rosa e prefeito de Porto Mauá, Carlos César Dinon (PMDB); o presidente da Fenasoja, Milton Racho; e o representante da Defesa Civil local, Eduíno Lorentz.

Defesa Civil: Assunto de Todos

Na tarde de sexta-feira (25), o IV Seminário da Defesa Civil discutiu alterações necessárias à legislação que regula a decretação de situação de emergência dos municípios. O ponto alto dos debates foi a necessidade de educar os cidadãos a priorizarem a Defesa Civil na destinação de recursos, de pessoal e na preparação em nível local para o enfrentamento destas situações. Pesquisadores sugeriram a criação de um Fundo estadual para o fomento do órgão e a desburocratização do processo de solicitação de emergência. Bohn Gass deverá pautar o assunto na Comissão de Assuntos Municipais do Legislativo.

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