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Banrisul, o risco da privatização continua

20/06/2008 12:00

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Mais uma vez, o Banrisul está em debate. E, novamente, há os que, como eu, defendem que ele permaneça público, fomentando o desenvolvimento do Estado e os que, como Yeda e Feijó, querem destruir, privatizar, vender o banco do povo gaúcho. Neste sentido, embora façam discursos diferentes, a governadora tucana e seu vice estão absolutamente sintonizados, afinal, elegeram-se com o mesmo programa.

A manobra em curso neste momento é sórdida e mal disfarçada. Primeiro, desmoraliza-se a instituição com terceirizações ilegais e milionárias (qualquer semelhança com o modus operandi da fraude do Detran não é mera coincidência; é o novo jeito), depois, joga-se ao vento denúncias que comprometem a credibilidade do banco perante os clientes ou o mercado; e, em seguida, desumaniza-se o atendimento sob o falso argumento de eliminação de custos. O que parece uma mera adpatação à modernidade eletrônica, na verdade, representa a eliminação de postos de trabalho e uma certa elitização dos correntistas. Assim, desmerecendo e desestimulando a função social da instituição, visa-se obstinadamente o lucro (sempre o lucro). É a lógica gelada do mercado: se dá lucro, tem valor. Se tem valor, pode ser vendido.

Os exemplos recentes que comprovam a tramóia estão aí para quem quiser ver. A vergonhosa conversa entre César Busatto, então Chefe da Casa Civil do governo Yeda, com o vice-governador Feijó, por exemplo, faz crer que o Banrisul se prestou a financiar campanhas eleitorais. Ora, transformar o banco de todos os gaúchos em concessão partidária, como disse Busatto, não é coisa de quem defende verdadeiramente a instituição. Ao contrário, é postura de quem pretende destruí-la.

Insustentável? Sim, com Yeda e Feijó, e foi assim desde a campanha, lembram? A espada permanece encostada no coração do Banrisul. Tome-se as palavras de Feijó para Busatto: "...tu sabe que o Aod, agora em março, abril, teve aqui falando comigo e veio me perguntar: Oh, Feijó, hoje, avaliando a questão do banco... é insustentável a médio prazo. Eu sou até favorável. Agora, eu tenho a convicção: se sair uma CPI do Banrisul seria muito bom para a sociedade, não tenho dúvida disso. Politicamente, não sei avaliar, agora, em termos de chegar à realidade do banco e ver efetivamente se nós, do Rio Grande do Sul, precisamos estar pagando esse custo para manter um banco. Afinal, Santa Catarina não tem banco, Paraná não tem banco, São Paulo não tem banco, Rio não tem banco, Bahia, nenhum Estado representativo tem banco. Eu diria que, para bom entendedor, meia palavra basta. E, neste caso, as palavras estão inteiras.

É imperioso lembrar que, em dezembro de 2007 e em março de 2008, foram distribuídos cerca de 86 milhões de reais para os acionistas privados, repito, privados, do banco. E que o governo Yeda vendeu 43% das suas ações. Esses 86 milhões de reais que, em sua maior parte, foram parar nas mãos de fundos financeiros internacionais, poderiam, por exemplo, estar alimentando um fundo de previdência. É disso que se trata. É a isso, precisamente, que chamamos de privatização mal disfarçada.

Fora, povo!

O perigo, entretanto, vem de todos os lados. Hoje, o Banrisul já não é mais um banco que recebe a todos os clientes, indiscriminadamente. Sempre atentos, os banrisulenses denunciam que já existem restrições quanto ao recebimento de títulos, de contas que as pessoas precisam pagar, com a cobrança de tarifas de até 20 reais para receber um título de outro banco. Mais: sucedem-se casos em que estagiários cumprem a função de constranger as pessoas a não entrarem nas agências e a dirigirem-se a caixas eletrônicos ou correspondentes bancários. Se a pessoa não for cliente do banco ou não tiver o cartão e quiser fazer um pagamento em dinheiro ou cheque, sofre um constrangimento que nada mais é do que um convite para se retirar do banco que deveria ser de todos os gaúchos.

Mesmo que a direção do Banrisul não confirme tais orientações, e por óbvio não as confirmará, essa prática vem sendo observada em diversas cidades do interior. De novo, não se trata de um comportamento de quem vise fortalecer a relação do Banrisul com o povo gaúcho, mas de distanciá-lo.

Por tudo isso é que mantemos a nossa convicção de que, em tempos de Yeda e Feijó, é preciso manter o alerta máximo sobre o risco que corre o Banrisul. Este banco é nosso e a tarefa de defendê-lo é nossa!

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