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A mansão de Yeda

05/08/2008 12:00

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Então quer dizer que o pai do ex-secretário Delson Martini, Delacy Martini, foi quem comprou o apartamento que Yeda teria vendido para pagar sua mansão? E quer dizer que o comprador ainda não saldou toda a sua dívida? Huuum, aí tem coisa...

Um homem preocupado - Há algum tempo, chegou-me a informação de que o tal apartamento de Capão estaria em nome do Delacy. Não consegui confirmar a informação. Por isso, não a tornei pública. Também soube que Delacy é proprietário de um posto de gasolina, de uma ferragem e que a esposa dele tem uma loja de confecções no município de Progresso. Ah, e que Delacy é homem simples e andava preocupado porque o apartamento de Capão teria sido passado para o nome dele. Assim mesmo, passado para o nome. Ou seja, a informação que me chegou não dava conta de que o negócio fora uma iniciativa de Delacy, mas de alguém que passou para o nome dele o imóvel.

Apareceu o contrato - Buenas, fiquei, como se diz, cozinhando, esta informação até que, no sábado passado, o Correio do Povo publicou a história. Depois veio o site da Folha de São Paulo com a notícia de que o advogado de defesa de Yeda levou ao Ministério Público de Contas um contrato de compra e venda do apartamento e que o valor do negócio era R$ 180 mil.

Tá? Não tá, não! Ontem, no RSUrgente, fiquei sabendo que Delacy comprou também o Passat 98 de Yeda por R$ 32 mil. E na Zero Hora de hoje, li a declaração da governadora quando confrontada com estes estranhíssimos, suspeitíssimos e até então secretíssimos negócios. Este é um tema de oposição, não é de jornalismo, tá?, teria dito Yeda ao jornalista.

Questão de ética - Pois quero responder à governadora: Não tá nada, senhora governadora! Este tema não é da oposição, é dos gaúchos. E se fosse da oposição, porque deixaria de ter interesse jornalístico? Só porque a senhora não quer? Porque não lhe convém? Porque expõe uma situação confusa, para dizder o mínimo, em que a senhora se meteu junto com seu grande amigo, Martini? Não, não tá nada, senhora governadora! A senhora tem o dever ético de explicar porque omitiu durante meses a informação de que seu apartamento teria sido vendido para o pai do Délson Martini, o mesmo ex-secretário que foi citado diversas vezes nas escutas telefônicas da Polícia Federal por quadrilheiros que roubaram R$ 44 milhões do Detran. Não, não tá, não, senhora governadora! A senhora, por acaso, se julga acima da lei? Ou pensa pode determinar aquilo que a imprensa vai ou não lhe perguntar? Não, senhora governadora. O(a) repórter que lhe questionou fazia o seu trabalho e falava em nome do interesse público. Mas eu entendo a sua insegurança. A propósito, nós todos no Rio Grande estamos inseguros. É que é tudo muito nebuloso mesmo, não é? A senhora compra por R$ 750 mil, uma mansão que vale R$ 1 milhão. A senhora vende por R$ 180 mil, um apartamento que, no mesmo ano, a senhora própria declarou que valia R$ 37 mil. Se eu estivesse no seu lugar, também estaria com medo. Afinal, explicar estes negócios da China não é tarefa fácil nem mesmo opara uma economista como a senhora. Vai ser mesmo difícil convencer um povo tão inteligente e arguto como o gaúcho, de que a senhora está falando a verdade.

Também, com esta polícia... E, além disso, senhora governadora, é sempre perigoso falar de um patrimônio milionário num tempo em que o policiamento do Rio Grande do Sul é precário, que o secretário de Segurança nem conhece a estrutura da pasta, que o comandante da Brigada desvia o batalhão para cuidar dos protestos dos movimentos sociais em lugar de evitar assaltos a residências, que os agentes penitenciários estão em greve e que a polícia civil está parando por falta de condições. É muita insegurança, mesmo, senhora governadora. Eu, se fosse a senhora, nem saía mais de casa. Ah! E botava uma cerca elétrica, câmeras e alarmes por todo o pátio. Com a diferença de que eu pagaria por isso com o meu dinheiro, senhora governadora, não com o dinheiro do povo gaúcho.

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