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Governo Yeda

06/08/2008 12:00

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O deputado Elvino Bohn Gass (PT) diz que os fatos novos relacionados à fraude no Detran não surpreendem e ratificam a tese suspentada pela bancada petista na CPI que investigou o esquema de desvio de recursos públicos na autarquia. O parlamentar se refere à entrevista de Lair Ferst ao jornal Folha de São Paulo, em que o lobista revela o envolvimento da governadora no processo de reestruturação do esquema fraudulento, e a mudança de versão de Yeda Crusius sobre a compra de sua casa. O castelo de mentiras, erguido para proteger o governo, começa a desmoronar. Tanto a entrevista de Lair quanto a nova explicação para a compra da mansão de Yeda escancaram a fragilidade da lógica construída pelos tucanos na tentativa de manter distância do maior escândalo de corrupção de que se tem notícia no Rio Grande do Sul, avalia o petista.

Na fundamentação do voto contra o relatório final da CPI do Detran, o deputados do PT defenderam o indiciamento por improbidade administrativa da governadora, do deputado federal José Otavio Germano (PP), do presidente do Tribunal de Contas do Estado, João Luis Vargas, e dos quatro ex-secretários que foram citados durante os trabalhos de investigação - Ariosto Culau, Delson Martini, Cézar Busatto e Marcelo Cavalcante, além dos 40 réus do processo sobre a fraude do Detran. Os novos fato confirmam o acerto da tese que defendemos na CPI e que redundou no pedido de indiciamento da governadora e de membros do alto escalão do governo, salienta.

Mudança de versão

Na explicação sobre a compra de sua casa entregue ao Ministério Público de Contas, a governadora Yeda Crusius mudou a versão dada em abril na primeira entrevista sobre o assunto, concedida à Rádio Gaúcha. No dia 17 de abril, ela havia dito não ter recebido o valor total da venda de um apartamento em Capão da Canoa. Ao MP de Contas, revelou que os R$ 180 mil obtidos na venda do apartamento foram usados para compor a entrada de R$ 550 mil em dinheiro e cheque na compra da casa. A nova versão ocorreu, praticamente, junto com a revelação de que o comprador do apartamento no litoral é o empresário Delacy Martini, pai do ex-secretário Geral de Governo, Delson Martini. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o empresário não confirmou o valor pago e disse que não quitou o imóvel, complicando a nova versão da governadora.

Ao programa Gaúcha Atualidade, Yeda havia afirmado que usara como recurso para dar entrada na compra os valores obtidos com a venda de dois apartamentos, um em Brasília e outro em Capão da Canoa. Na mesma entrevista, a governadora também referiu ter feito um empréstimo, transação não mencionada nas explicações que prestou ao MP de Contas. Nem o advogado da governadora, Paulo Olimpio Gomes de Souza, sabe explicar a divergência de explicações. Questionado sobre as versão contraditórias, ele disse não poder comentar o que Yeda declarou antes de ele ter sido constituído para representá-la.

Para Bohn Gass, as contradições da governadora sobre a compra da mansão em Porto Alegre após a campanha eleitoral são cada vez mais escandalosas e corroboram a decisão do PT de solicitar ao Ministério Público de Contas a investigação do negócio. Na representação encaminhada ao órgão, o PT questiona o valor que a governadora diz que teria pago pela casa R$ 750 mil - já que na região em que está localizada os imóveis têm valor bem maior. A transação é confusa e mal explicada em vários aspectos. Esperamos que, em breve, a sociedade gaúcha receba a explicação que, até agora, a governadora vem se negando a dar, finaliza o deputado.

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