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Semana da Pátria

03/09/2008 12:00

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Durante sessão solene da Assembléia Legislativa em homenagem à Semana da Pátria, realizada nesta quarta-feira (3) na Expointer, o deputado Elvino Bohn Gass (PT) fez um pronunciamento ressaltando o bom momento vivido pelo Brasil do ponto de vista econômico, político e social. O parlamentar, que se manifestou como representante da bancada petista, destacou os avanços conquistados pelo País a partir do governo Lula e concluiu que, apesar de "grandes barreiras que ainda temos a superar até deixarmos de ser um país dependente", o país está "historicamente melhor".

Segundo ele, o "futuro não é mais uma miragem inatingível, comprometido por diferenças sociais enormes e por uma dívida externa que nos roubava qualquer resto de esperança". Para o parlamentar, é preciso comemorar o fato de que "hoje nosso país tem um projeto palpável que se constrói com ações concretas, políticas públicas voltadas para a maioria e cujos resultados fazem merecer o respeito de todo o planeta". Por isso, ele crê que "caminhamos firmes para termos um Brasil altivo, dono de suas riquezas, consciente de seu papel neste mundo globalizado, um país que concede dignidade a seu povo, um Brasil que não aceita qualquer sujeição, uma nação soberana, econômica e socialmente livre, finalizou.

Abaixo, a íntegra do pronunciamento




Senhoras deputadas, senhores deputados, povo gaúcho



A presença do Poder Legislativo em sessão solene nesta que é a maior feira agropecuária da América Latina, se dá num momento histórico para o Brasil. As posições políticas podem divergir aqui ou ali, mas não há quem possa afirmar, baseado em dados concretos, que o país piorou. Não, senhores, o Brasil está melhor, historicamente melhor. Nossa economia tem equilíbrio, a inflação está contida e mesmo os riscos que se avizinharam em função da crise mundial de alimentos, mereceram rápidas medidas que os fizeram praticamente desaparecer.

Nossa gente hoje come melhor, tem mais acesso ao estudo, se qualifica e paulatinamente vem encontrando trabalho. Nosso orgulho enfim, dá sinais de recuperação seja pela imagem de credibilidade que o país desfruta além de suas fronteiras, seja porque vê em seus governantes figuras confiáveis que honram a palavra empenhada e trabalham incessantemente pela melhoria da qualidade de vida de todo o povo brasileiro.

Hoje, apesar das mazelas históricas geradas essencialmente pela desigualdade de oportunidades, temos um país que respeita os direitos humanos e dispõe de mecanismos que punem com rigor os abusos cometidos contra as nossas crianças, os nossos idosos, os nossos trabalhadores seja do campo ou da cidade.

Sim, nosso país está melhor. Estamos muito próximos da auto-suficiência combustível, a indústria se recupera e alcança novos mercados, nosso comércio dá sinais de pujança e temos um setor de serviços que se moderniza num ritmo quase alucinante.

Como deputado do Partido dos Trabalhadores, companheiro portanto do presidente Lula, reconheço o esforço que tem sido feito em áreas fundamentais de nosso país e me regozijo com as muitas conquistas alcançadas.

Creio, com muita sinceridade, que o Brasil hoje caminha para ser, de fato, um grande país. Haverá sempre aqueles que encontrarão em minhas palavras um ufanismo exagerado. Pois de pronto, esclareço: não se trata aqui de dizer que o Brasil é uma nação sem problemas. Longe disso. Temos, por exemplo, muito a fazer na área da saúde onde a dor permanece em qualquer corredor de hospital que se visita. Há uma tarefa gigantesca a ser executada no plano educacional e convivemos ainda, especialmente nas regiões metropolitanas, com a insegurança nossa de cada dia. Há muito a evoluir em infra-estrutura, de modo especial na geração de energia e no plano dos transportes. Nem sequer utilizamos a pleno nosso imenso potencial fluvial e ferroviário... Mas podemos dizer, sim, que o país está nos trilhos.

Nos últimos anos, 10 milhões de empregos foram criados, o produto interno bruto cresce acima da média, 9 milhões de pessoas deixaram a pobreza absoluta, temos um programa de aceleração do crescimento que dispõe de 500 bilhões para investimentos, o salário mínimo é o maior desde 1965, a energia elétrica está chegando aos mais recônditos sertões do país, a economia popular solidária se expande, 400 mil jovens pobres tiveram acesso à universidade, 12 novas universidades foram criadas. E no setor agrícola, senhoras e senhoras, que em última análise serve de razão para esta grandiosa festa que é a Expointer, temos também evoluído muito. As verbas públicas destinadas a este setor já se contam aos bilhões. De modo especial, regozijo-me com os investimentos feitos na agricultura familiar, de onde me origino e atividade que é razão maior de meu mandato eleitoral. Pois lá, na pequena propriedade, os investimentos públicos batem recordes atrás de recordes e as políticas públicas já abrangem desde a escolha e a compra da semente até o ponto final que é a comercialização. Isso tudo com garantia de safra e de renda dos homens e mulheres do campo. Enfim, senhoras e senhores, eu poderia aqui ficar por horas a fio, listando boas novas e conquistas que temos obtido. Mas se escolho esta data para fazer uma análise ligeira do país, senhor presidente, o faço motivado por um sentimento de orgulho que em mim vem ganhando sentido e concretude. Falo do sentimento de amor a esta pátria brasileira. Muito diferente de tempos obscuros quando este amor à pátria não passava de uma retórica forçada de sustentação a um regime que até hoje nos envergonha, hoje os brasileiros podem ter sim, de verdade, razões para sentir-se cidadãos de um país que vai para frente.

Repito para que não me tomem por um patriótico delirante: temos muito a fazer ainda. Temos consciência, por exemplo, que o pensamento único que o neoliberalismo nos impôs até há pouco, trouxe junto maiores poderes aos grandes capitais, mundialmente concentrados, alguns produtivos outros somente especulativos.

Em nome da globalização, estes grandes capitais se colocam acima das necessidades dos povos e, muitas vezes, subordinam nações inteiras aos seus interesses de lucros e da mercantilização. Enfim, sabemos que temos grandes barreiras a superar até deixarmos de ser um país dependente.

A diferença, contudo, é que o futuro não é mais uma miragem inatingível comprometido por diferenças sociais enormes e por uma dívida externa que nos roubava qualquer resto de esperança. Não, senhores e senhoras, hoje nosso país tem um projeto palpável que se constrói com ações concretas, políticas públicas voltadas para a maioria e cujos resultados fazem merecer o respeito de todo o planeta.

Assim, caríssimos colegas, se é verdade que a nossa independência, simbolizada pelo grito de Dom Pedro a 7 de setembro de 1822, foi apenas uma declaração política sem o poder de nos libertar definitivamente da dependência econômica, hoje, senhores, caminhamos firmes para termos um Brasil altivo, dono de suas riquezas, consciente de seu papel neste mundo globalizado, um país que concede dignidade a seu povo, um Brasil que não aceita qualquer sujeição, uma nação soberana, econômica e socialmente livre.

Por isso, 186 anos depois, talvez seja o caso de refazer a frase de dom Pedro e gritar: Brasil, independente e vivo!

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