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Agricultura Familiar na Expointer: uma trajetória ascendente

17/09/2008 12:00

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"A favela da agricultura familiar". Era nisso que setores conservadores do agronegócio gaúcho maldosamente apostavam que se transformaria o espaço destinado à agricultura familiar na Expointer. No final da década de 90, prevalecia a noção equivocada de que investir nos pequenos agricultores era fazer assistência social. Na contramão deste discurso amplamente difundido à época, e mesmo antes de pesquisas definirem que o setor responde por 27 % do PIB das cadeias produtivas do RS, o ex-governador Olívio Dutra reconheceu o papel do setor na agropecuária e decidiu que estes trabalhadores e trabalhadoras teriam o merecido espaço para expor e comercializar seus produtos na mais importante feira agro-industrial do Estado. Assim, com este primeiro voto de confiança, a agricultura familiar iniciava trajetória ascendente na Expointer.

No começo, eram apenas 19 bancas, dispostas embaixo de uma armação de lonas. Depois, para consolidar a participação do setor no evento, o Ministério do Desenvolvimento Agrário investiu R$ 1 milhão na construção de um pavilhão permanente. A aposta no potencial da agricultura familiar, mais uma vez mostrou-se acertada. Só nesta última edição da Expointer, dos 4.200 m² de área do pavilhão, que tem cozinhas, locais para exposição, além de espaço cultural para apresentações artísticas, foram disponibilizados 167 espaços a 242 empreendimentos, na maioria cooperativas e associações, representando mais de 1000 famílias de agricultores de 97 municípios gaúchos.

A qualidade dos produtos comercializados também mereceu destaque. Prova disso é o incremento de 30% das vendas em relação aos valores vendidos na edição passada. Mais de R$ 770 mil contra os cerca de R$ 591 mil vendidos em 2007. Neste ano, os consumidores ainda tiveram outra vantagem: a garantia de que os produtos comercializados no pavilhão eram todos oriundos da agricultura familiar e comercializados pelos próprios produtores. Para ter direito ao espaço, os expositores tiveram de apresentar Declaração de Aptidão do Produtor (DAP).

Mas nem só consumidores aprovaram os produtos da agricultura familiar. Representantes de grandes redes de supermercado visitaram o pavilhão e iniciaram tratativas para comercialização das mercadorias. A questão é que, com a demora do Estado em aderir ao Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), que unifica os sistemas de inspeção sanitária no país, permitindo que os agricultores comercializem seus produtos fora dos municípios de origem, a venda de itens inspecionados por sistemas municipais fica impossibilitada. Para se ter uma idéia, a própria exposição destes produtos na Expointer só foi possível em função de uma portaria com vigência apenas durante o período da Feira.

Os governos que apoiaram e que continuam apostando na agricultura familiar, como evidencia o recente lançamento do programa federal Mais Alimentos, acertaram. A evolução da agricultura familiar está evidente nas edições da Expointer, onde a população tem visto um setor bem estruturado, consolidado, lucrativo e que, cada vez mais, amplia o público consumidor com alimentos de qualidade. Resta esperar do atual governo do RS visão semelhante para que as deficiências do Estado não sejam entrave ao desenvolvimento do setor na Feira. Pedir isso não é demandar a mesma atenção de que necessitaria uma favela e, muito menos, os privilégios de que gozam os que se consideram bairro nobre na Exposição.

Deputado Estadual

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