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Obrigado, Pilla Vares

10/10/2008 12:00

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Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo

(Drummond)

No período mais obscuro da vida nacional, os chamados anos de chumbo, ou se era a favor da ditadura, ou contra ela. Pilla Vares escolheu o seu lado. Mais do que isto, jogou-se na luta contra os tiranos de forma a, militantemente, conquistar corações e mentes para a defesa de valores reais: igualdade, fraternidade e liberdade.


A escolha tinha uma razão: Pilla era justo e crítico. Só nutria um ódio: a opressão.

Ele soube alertar seus companheiros, por exemplo, para a necessidade de separar o joio do trigo, especialmente quando exorcizava alguns espectros esquerdistas. Pilla nos depurou.


Com sua história, seus livros, sua bagagem cultural, sua leitura ímpar da vida, ainda assim era um homem que vivia com simplicidade, que tratava a todos com cortesia e que, em momento algum, fazia valer sua formação letrada.


Era um companheiro de partido, um colega de trabalho, um homem de esquerda que sentia orgulho de seus ideais mas jamais mostrava-se orgulhoso de seu saber que não era pouco.


Era um construtor, mas não desses que erguem paredes, mas idéias. Era um marceneiro que fazia janelas, não armários. Um homem de ferro que odiava grades.


A nós, seus companheiros forjados no marxismo que ele tão bem nos ajudou a compreender e a valorizar em momentos fundamentais de nossa história (agora mesmo, em plena crise financeira mundial...) quando tantos de nós titubeavam seduzidos por teorias pragmáticas ou pelas diversas tentativas de nos fazer crer no fim da história resta-nos tão somente um profundo agradecimento.


Pela lucidez e pela singeleza


Obrigado, companheiro.

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