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Escândalo

12/12/2008 12:00

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Diz a Lei Estadual 10.990, que dispõe sobre os Estatutos da Brigada Militar, que é proibido a um PM "fazer uso do posto ou da graduação para obter facilidades pessoais de qualquer natureza..." e que "...a violação dos preceitos da ética Policial-Militar é tanto mais grave quanto mais elevado for o grau hierárquico de quem a cometer..." Foi com base nestes incisos do capítulo da Ética Policial-Militar que o deputado Elvino Bohn Gass (PT), pediu, nesta quinta-feira, que a Corregedoria Geral da Brigada abra um procedimento para investigar a conduta do coronel Paulo Roberto Mendes. A revelação (surgida de interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal durante a Operação Solidária) de que Mendes pediu ao secretário-geral do governo de Canoas, Chico Fraga, que intercedesse junto à governadora Yeda para sua nomeação ao Comando Geral da BM é, para o deputado, prova que houve a quebra da ética militar. "É a história da corporação que está em jogo. Sob pena de jogar no lixo seus estatutos, a própria Brigada precisa reagir. Este comportamento é inaceitável."

O telefonema interceptado, lembra Bohn Gass, aconteceu depois que Chico Fraga já era réu do processo que investigava a fraude da merenda em Canoas, já estava indiciado por formação de quadrilha, corrupção, peculato e advocacia administrativa na fraude do Detran, já tinha os bens bloqueados pela Justiça e já estava com seus sigilos quebrados. "O Coronel Mendes sabia muito bem com quem estava falando. E tinha certeza de que, apesar de todas as acusações, Chico Fraga ainda mantinha forte influência no governo tucano. E tanto mantinha que Yeda aceitou a indicação e nomeou Mendes."


O que mais?
O deputado anuncia que pedirá à Justiça Federal que dê conhecimento à Assembléia Legislativa do teor de todas as conversas interceptadas na Operação Solidária (que apura fraudes em obras de saneamento nos municípios de Canoas e Sapucaia do Sul) cujos protagonistas sejam Chico Fraga e o Coronel Mendes. Bohn Gass também fará um pedido formal à governadora Yeda para que a nomeação de Mendes ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça Militar (publicada no Diário Oficial desta quinta, 11/12) seja sustada. "Que moral pode ter o coronel para julgar criminosos se para ocupar um cargo ele foi indicado por alguém que também é acusado de vários crimes?"

Como integrante da CPI do Detran, o deputado diz lamentar o envolvimento de um alto oficial da Brigada com personagens acusados de integrarem a quadrilha que lesou os cofres públcios em mais de R$ 44 milhões. "E se Chico Fraga, que negou qualquer proximidade com Yeda, conseguiu indicar o Comandante da Brigada, quais seriam os cargos indicados pelo companheiro de partido e arrecadador da campanha da governadora, Lair Ferst (também denunciado pela Fraude do Detran e tido pela PF como um dos principais articuladores da quadrilha)?"

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