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Dias difíceis

20/02/2009 12:00

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Os últimos episódios na política estadual me fazem lembrar de uma expressão de Leonel Brizola: Tem pele de jacaré, tem rabo de jacaré, tem jeito de jacaré. Então, só pode ser jacaré. Para nós, do PT, já havia, mesmo antes das denúncias do PSOL, razões suficientes para que a investigação sobre a quadrilha que assaltou o Detran, incluísse também a governadora Yeda e alguns de seus assessores mais próximos como os secretários Delson Martini e Marcelo Cavalcanti. Isto, aliás, não é uma novidade, está no voto que apresentamos ao final da CPI. E se votamos assim foi porque estávamos convencidos de que havia tantos indícios da participação direta da governadora nos fatos que não havia outro caminho senão investigá-la. Nosso voto foi vencido porque os partidos aliados de Yeda tinham maioria na comissão (e dizendo isto, me ocorre que o senhor Carlos Crusius, ao se referir à CPI como um bando de abutres, comete um erro gravíssimo porque dispara contra seus próprios aliados). Mas, convictos que estávamos de que com tantas características de jacaré, o bicho só poderia ser mesmo jacaré, encaminhamos nosso voto em forma de representação ao Ministério Público.

Morte misteriosa - Os processos e as investigações estavam andando sem maiores alterações até que fomos supreendidos pela notícia da trágica morte de um dos alvos de nossa representação, o senhor Marcelo Cavalcanti. Bem, não há como não reagir ao fato de que um sujeito que privava da intimidade de vários dos outros denunciados pela fraude do Detran, que fora escolhido por um deles para ser o portador de uma carta à governadora contando quase tudo sobre o modus operandi da quadrilha e que se dizia muito pressionado dias antes de sua morte, tenha simplesmente desaparecido da cena. A morte de Cavalcanti é sim um grande mistério e o esclarecimento tanto da forma quanto das razões para que ela tenha ocorrido são de fundamental importância para o desenrolar das investigações a que estava, de um ou outro jeito, ligado.

A série de episódios que a deputada federal Luciana Genro e o vereador Pedro Ruas listaram em entrevista coletiva na última quinta-feira, e que, segundo eles, estão em poder do Ministério Público Federal, são devastadoras. A imprensa, com a cautela que lhe cabe, registrou que o PSOL acusou mas não provou. É verdade. Mas também é verdade que vários dos episódios mencionados, guardam coerência com os fatos levantados pela Operação Rodin, cujo desdobramento levou à denúncia judicial de quase 40 pessoas, entre elas alguns figurões da política gaúcha.
Então, a se confirmarem a existência das provas que o PSOL menciona, não haverá outro caminho a não ser buscar os mecanismos legais que impeçam a governadora Yeda de permanecer no cargo. É o que penso hoje.

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