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O veto de Yeda ao abono do funcionalismo

26/02/2009 12:00

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Deve acontecer no próximo dia 10 de março a análise do veto da governadora Yeda ao projeto de lei que abonou todos os dias em que professores e policiais paralisaram suas atividades por força de reivindicações salariais no ano passado. Para entender melhor: Yeda mandou projeto abonando apenas dois dias de paralisação do funcionalismo. Que razões teve para fazer esta espécie de perdão seletivo, ninguém do governo ainda conseguiu explicar.

Importa, contudo, é que entre os deputados prevaleceu a idéia de que era justo abonar todos os dias de greve. Emendas neste sentido foram então construídas em plenário, e restaram aprovadas. Contribuiu para este entendimento, a tradição de acordos que os governos, historicamente, vem fazendo com os professores após as greves. Mesmo que tacitamente, tem havido um mínimo de compreensão por parte dos governantes de que a reivindicação do magistério é quase sempre justa e só não pode ser atendida plenamente porque falta dinheiro no cofre do Estado.

É como se governadores que antecederam Yeda tivessem feito o seguinte raciocínio: - Tá bem, eu não posso pagar o que os professores querem, mas ao menos não vou penalizá-los ainda mais, cortando-lhes o seu já minguado salário só porque bateram umas sinetas em frente ao Piratini.

Quando o Executivo tem uma mínima dose de sensibilidade social, sabe que embora não haja condição financeira para melhorar o salário do professorado, tem que haver, ao menos, a compreensão de que a reivindicação é justa. Quando o Coronel Mendes distribuiu cacetadas e tiros de borracha contra os educadores, o governo tucano mostrou que, entre outras ausências, carece, fundamentalmente, de compreensão.

Mas a sensibilidade que faltou no Executivo apareceu, de forma louvável, no Legislativo. Numa atitude que ajudou a recuperar a imagem de independência do Parlamento e recuperou a melhor tradição da política gaúcha, os deputados cumpriram um papel fundamental no embate entre a governadora e algumas das principais categorias do funcionalismo quando decidiram tornar geral o abono que seria de apenas dois dias.
Irredutível na sua política de enfrentamento, Yeda, de novo, não soube ler o recado político de sua base e vetou o projeto.

De minha parte, confio na manutenção do veto por parte de meus pares no legislativo. Não posso acreditar que o Poder Legislativo irá retroceder justamente num ponto em que avançou significativamente como mediador social, que mostrou bom senso e sensibilidade, que agiu como pacificador e que, em última análise, fez justiça. Estes são valores maiores do que qualquer disputa política. É o que penso.

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