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Economia Solidária

12/03/2009 12:00

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"O sistema financeiro precisa ser mudado. Em cada país deveria haver apenas bancos públicos ou sociais, que não maximizem lucros e sejam autogeridos". A manifestação do economista Paul Singer, feita durante o painel Economia Popular Solidária: Alternativa às crises do capitalismo, realizado na noite desta quarta-feira(11), na Assembleia Legislativa, revela a posição favorável do atual Secretário Nacional de Economia Solidária do governo Lula à intervenção do Estado na economia, sua convicção da responsabilidade dos bancos pela "superespeculação financeira" que desencadeou a crise mundial, e a confiança que ele tem na Economia Solidária como contraponto ao modo de produção capitalista.

O evento, promovido pela Frente Parlamentar em Defesa da Economia Solidária no RS, capitaneada pelo líder da bancada petista, deputado Elvino Bohn Gass, teve também as participações do professor de Economia da UFRGS, Carlos Schmidt, e do diretor Executivo do Centro de Educação Popular (Campi), Mauri Cruz.

Para uma platéia de mais de 200 pessoas que lotaram o plenarinho, Singer citou o economista inglês John Maynard Keynes para defender medidas contra-cíclicas, como as adotadas pelo governo Lula contra os impactos da depressão mundial. "Em crises, o governo precisa gastar mais do que arrecada. Depois, com a economia recuperada, poderá arrecadar mais e cobrir as dívidas feitas neste período", aconselhou. Ele explicou que o Brasil usou a regra Keynesiana, ao ordenar aos grandes bancos que deixaram de emprestar aos pequenos para atender grandes empresas que perderam o crédito internacional em função da crise, voltassem a atender o antigo público. "Com isso, o Banco Central impediu a tempo que os pequenos clientes, que tomam dinheiro nos bancos pequenos, perdessem este crédito e desaquecessem a economia", completou.

Para Singer, o sistema financeiro ideal deve priorizar o bem estar social, o ganho público e, principalmente, estar sob a direção dos próprios depositantes. "A Economia Solidária não causa crises. Nunca um sistema financeiro quebrou por trabalhar com o setor", assinalou. O economista alertou, porém, que a disposição para trabalhar em sistema solidário deve partir das pessoas. "Na Economia Solidária, ninguém manda, ninguém obedece, todos trabalham e dividem os lucros. Isso não pode ser feito de cima para baixo. O governo só deve criar condições razoáveis para que as pessoas que quiserem possam participar", opinou.

Neste sentido, o deputado Bohn Gass lembrou que tramita na Comissão de Constituição e Justiça do Legislativo projeto de iniciativa popular que institui uma política de fomento à Economia Solidária no RS. O texto da proposta é idêntico ao do projeto de autoria do parlamentar que, aprovado em plenário, foi vetado pelo ex-governador gaúcho, que teve o veto mantido porque os deputados da base governista mudaram de idéia. "É um marco regulatório para a Economia Solidária que precisa ser criado para que os empreendedores do setor tenham o devido reconhecimento e subsídio do Estado", argumentou o petista.

Opinião semelhante foi manifestada pelo professor Schmidt. Ele acha necessário lutar por políticas afirmativas para o setor, que dialoguem com formação e mercado. "A EPS tem outra dinâmica, reservas de produtividade, de criatividade, de ética, coisas que devem ser postas na ordem do dia para que não seja apenas uma questão de recuperar a economia do jeito que ela está, mas de fazer a necessária transformação das relações sociais de produção", opinou.

Mauri Cruz, concorda com a idéia de que os valores da Economia Solidária estão além das questões de mercado e trabalho. "É uma alternativa de resistência ao capitalismo que deve ser construída com atenção à prática diária, à postura pessoal, ao aprendizado que vem com os erros e, principalmente, com perseverança", disse o diretor do Campi. " De fato, não se muda de um modo de produção para outro rapidamente. Às vezes isso leva gerações, mas temos de perseverar", completou Paul Singer.

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