Cadastra-se para receber notícias
Em nome da transparência

28/05/2009 12:00

Tamanho da fonte

Reproduzo hoje, aqui neste blog, um trecho do programa Gaúcha Hoje que foi ao ar na Rádio Gaúcha na manhã desta quinta-feira. Os jornalistas Antônio Carlos Macedo e Daniel Scola falam da permanência de Walna Villarins Meneses como assessora especial da governadora Yeda Crusius, apesar de ela ter sido flagrada em uma conversa suspeitíssima com uma das pessoas investigadas pela Polícia Federal na Operação Solidária, a senhora Neide Bernardes. Na conversa entre as duas, há trechos que falam em flores, arranjos etc... que a Polícia Federal diz tratar-se de despistes ou códigos porque, na verdade, as duas estariam tratando de repasses de dinheiro. E, muito provavelmente, dinheiro ilícito. Uma degravação da conversa foi obtida pelo jornal Zero Hora e publicado dias atrás.

Mas vamos ao trecho do Gaúcha Hoje:

- Macedo: Confere a informação de que o secretário Otaviano Brenner de Moraes quer um relatório de Zero Hora sobre gravações e fitas?

- Scola: É o que ele disse ontem. Que ele queria ter acesso a essas gravações, para confirmar se de fato a assessora tem algum envolvimento, qual a circunstância que ela estaria envolvida. O certo é que Walna Meneses continua sob pressão. A tendência é que, por enquanto, ela permaneça no cargo. Ela não dá declaração alguma, está blindada pelo Palácio Piratini, e a tendência é que a governadora Yeda Crusius mantenha a assessora no cargo.

Antônio Carlos Macedo: Quem deveria pedir para a pessoa se retirar – pelo menos até os fatos serem devidamente esclarecidos – não faz isso, como já não fez na questão que envolveu o Ricardo Lied, flagrado na conversa suspeita de Lajeado. O secretário Otaviano não precisa nem se preocupar: esse material existe, eu vi. Não é gravação, ouviu, secretário? É a degravação em papel oficial, com as conclusões da Polícia Federal. não tenha dúvida que isso existe. Acho que o senhor faria mais e melhor investigando dentro do Palácio, chamando essa pessoa, vendo o que ela tem a dizer. Não compre essa bronca, pois o papel da Polícia Federal foi o que saiu em Zero Hora. Nós não seríamos irresponsáveis de publicar uma coisa que não é verdade. Continuo estranhando o secretário da Transparência. Ele acha que em relação a essas pessoas que têm agido de forma nada transparente não há motivos para que elas saiam do Governo. Mas secretário, a sua Secretaria é a de Transparência! As coisas não estão transparentes no caso do servidor de Lajeado e nem no caso da dona Walna. Por favor, o senhor tem uma biografia, um histórico.

Nem sempre concordo com a imprensa e mantenho muitas das críticas que fiz, por exemplo, à cobertura dada pela RBS à CPI da Segurança ao tempo do governo Olívio. Aquilo foi de uma parcialidade absurda. Também não tenho qualquer relação com o jornalista Macedo e conheço o Scola porque ele cobre a Assembléia Legislativa e tenho mantido com ele uma relação respeitosa, sendo a recíproca verdadeira. Daí que me sinto tranquilo para elogiá-los quando acho que merecem e seguirei manifestando minhas divergências com suas posições e enfoques quando considerar importante fazê-lo. Por isso, afirmo: o comentário do Macedo sintetiza, com muita nitidez, o momento que estamos vivendo. É inexplicável que, diante de suspeitas tão graves sobre dois dos servidores mais próximos da governadora Yeda, o secretário de Transparência não tenha agido de modo a oferecer... transparência.

Compartilhe:

  • Facebook
  • Share on Twitter