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PRENDER SINDICALISTA, JORNALISTA E VEREADOR É ATO TÍPICO DE UM GOVERNO TIRANO, CORRUPTO E COVARDE COMO O DE YEDA

16/07/2009 12:00

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A prisão arbitrária e truculenta da professora Rejane Oliveira, presidente do CPERS, do fotógrafo Caco Argemi e da vereadora Fernanda Melchiona, do PSOL, hoje pela manhã, em frente à mansão da governadora Yeda Crusius, é um dos mais lamentáveis episódios já registrados no Rio Grande do Sul.

Centenas de pessoas se reuniram em frente à mansão de Yeda para protestar pelo sucateamento da educação promovido pelo governo tucano. Para evidenciar o contraste entre a luxuosa moradia da governadora - que é o símbolo da montanha de denúncias de corrupção e suspeitas que recaem sobre ela – e o tratamento desumano imposto às crianças que são obrigadas a estudarem em escolas de lata, os manifestantes posicionaram uma réplica de um conteiner, feita de alumínio, em frente à casa de Yeda.

Sim, era um protesto forte, com imagens igualmente viogorosas, mas em momento algum os professores que lá estiveram praticaram qualquer ato criminoso. A manifestação era pacífica e foi realizada na calçada da rua Araruama, ou seja, num espaço público, não privado.

Mas eis que surge, em frente à porta principal da mansão, a governadora Yeda munida de um cartaz escrito à mão que acusava os professores de serem "torturadores de crianças". O gesto agressivo, típico de quem não tem preparo para o cargo que ocupa, só fez aumentar o tom das palavras de ordem dos professores que pediam o impeachment de Yeda.

Não satisfeita, ela ainda tomou os dois netos pela mão e os expôs vergonhosa e irresponsavelmente a uma situação de conflito, levando-os consigo até a beira do alto portão de grades da mansão.

Em seguida, a Brigada Militar recebeu ordens de dispersar o protesto e passou a agir com violência contra os manifestantes. Um ato que lembrou os piores momentos da história brasileira, os anos de chumbo da ditadura militar quando prender professores, sindicalistas, jornalistas e vereadores era a lógica de um poder ilegítimo que só se mantinha pela força.



O tumulto se estabeleceu e a professora Rejane, presidente de um dos maiores sindicatos da América Latina, o CPERS, acabou presa, algemada sob a ridícula acusação de desobediência e desacato. Também o fotógrafo Caco Argemi, que atua como free-lancer para diversos sindicatos de trabalhadores, foi preso e posto no camburão. E como se não bastasse, até a vereadora Fernanda Melchiona acabou detida e conduzida ao Palácio da Polícia.

Ordenar às forças de segurança para que ajam como selvagens e que escolham a dedo os indivíduos a serem presos é, antes de tudo, um ato da mais pura covardia de mandatários que atolados em denúncias de corrupção, se escondem, então, atrás de escudos, coturnos e cacetetes. Abjeta decisão esta de espancar professores, jornalistas e vereadores só porque eles pensam diferente e tem a coragem de dizê-lo de público. Tirania é o nome disso.

A história de nosso Estado, outrora marcada pela grandeza, a coragem e até o heroísmo de nossos líderes políticos, vê-se maculada pelo desequilíbrio, o despreparo e desespero de um governo que há muito tempo perdeu a credibilidade e o respeito.

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