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12/08/2009 12:00

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O líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa, Elvino Bohn Gass, anunciou nesta quarta-feira (12) que os partidos de oposição irão solicitar ao Ministério Público Estadual a reabertura das investigações sobre a compra da casa da governadora Yeda Crusius. "As contradições que cercam a compra da mansão pela governadora logo após a campanha eleitoral tornaram-se mais agudas após a divulgação das escutas de conversas telefônicas entre pessoas que integravam a cúpula tucana", apontou, referindo-se às gravações de diálogos entre o ex-chefe do Escritório de Representação do Rio Grande do Sul em Brasília, Marcelo Cavalcante, e o lobista Lair Ferst.

Em conversas telefônicas, Cavalcante afirma que a casa de Yeda foi adquirida por R$ 1 milhão e não por R$ 750 mil, como alega a governadora. Nas mesmas fitas, o ex-representante do Estado em Brasília questionou a versão oficial do Palácio Piratini de que o casal Crusius vendeu um apartamento em Capão da Canoa para o pai do ex-secretário Geral de Governo, Delson Martini, com o propósito de integralizar o montante pago pela mansão. "Esse apartamento de Capão também sempre foi uma grande incógnita porque falaram que não podiam vender o apartamento e tudo o mais e depois que a oposição apertou, aí vieram com esta história do pai do Delson", disse o ex-assessor de Yeda.

Segundo Bohn Gass, é possível supor que Lair Ferst tinha motivos para montar provas contra o governo, já que o lobista foi excluído da divisão da propina oriunda da fraude do Detran e poderia agir movido pela vingança. O mesmo, conforme o petista, não se aplica a Marcelo Cavalcante. "Ora, Yeda deu a Marcelo status de secretário de Estado, e isto não é pouca coisa. Além disso, Marcelo foi chefe de Gabinete de Yeda e era um de seus mais próximos assessores. Que razões teria, então, para manchar a imagem de sua chefe e amiga?", questionou o parlamentar;

Bohn Gass lembrou, ainda, as palavras abonadoras do ex-marido da governadora quando o corpo de Cavalcante apareceu boiando no Lago Paranoá, em Brasília: "... um trabalhador dedicado, uma pessoa adorável, generosa, prestativa. Não há quem não tenha recebido dele atenção eficiente, desinteressada e alegre. Sim, ele era extremamente alegre, barulhento, divertido. O Marcelo era, a rigor, um menino. Um menino grande, querido por todos nós. Um menino puro, sem maldades...", afirmou Carlos Crusius na ocasião.

Na tribuna, o líder do PT lembrou que foi "este menino puro e sem maldades", e não a oposição, que acusou Crusius de roubar dinheiro da campanha tucana. "Ele vinha lá sede do partido, pegava a sacolinha e ia embora", confidenciou Cavalcante a Lair.

Nas gravações, o ex-assessor de Yeda revelou também que Chico Fraga, um dos indiciados pela Polícia Federal por formação de quadrilha, ocultação de bens e enriquecimento ilícito, despachava no Palácio Piratini como se fosse secretário, criando constrangimento para outros integrantes do governo. Cavalcante teria, ainda, alertado a governadora de que o conteúdo da carta enviada por Ferst, contando toda a história da fraude no Detran, era grave e que seria necessário tomar providências.

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