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Foi um menino puro quem denunciou que o Sr. Crusius roubava dinheiro da campanha

12/08/2009 12:00

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Uma das coisas que mais me intriga no debate sobre as acusações de corrupção contra o governo Yeda e alguns de seus aliados é a tese, de última hora, de que as conversas entre Marcelo Cavalcante e Lair Ferst teriam sido montadas.

Que Lair tinha motivos para montar provas contra o governo, até dá para entender, afinal, mesmo que tenha havido esforços para mantê-lo dentro da quadrilha (como, aliás, as escutas telefônicas parecem indicar), ele acabou excluído da divisão da propina. Lair poderia, então, estar movido pela vingança contra seus ex-companheiros de quadrilha e contra os que não garantiram a sua permanência no esquema. E a vingança, a gente sabe, não é boa conselheira…

Mas, e Marcelo? Que motivos teria para criar provas contra o governo ou a governadora a quem serviu durante tantos anos e que, inclusive, deu-lhe o mais importante cargo que ele ocupou na vida, o de embaixador do Rio Grande do Sul em Brasília. Ora, Yeda deu a Marcelo status de secretário de Estado, e isto não é pouca coisa. Além disso, Marcelo foi Chefe de Gabinete de Yeda e era um de seus mais próximos assessores. Que razões teria, então, para manchar a imagem de sua chefe e amiga Yeda?

Penso que é tempo de lembrar as palavras do marido de Yeda, Carlos Crusius, quando o corpo de Marcelo apareceu boiando no Lago Paranoá. Disse o senhor Crusius que Marcelo era "… um trabalhador dedicado, uma pessoa adorável, generosa, prestativa. Não há quem tenha procurado sua ajuda, nos meandros burocráticos de Brasília, que não tenha dele recebido sua atenção eficiente, desinteressada e alegre. Sim, ele era extremamente alegre, barulhento, divertido. O Marcelo era, a rigor, um menino. Um menino grande, querido por todos nós. Um menino puro, sem maldades…"

Bem, este menino trabalhador e puro é que afirma que o senhor Crusius roubava dinheiro da campanha e levava para casa. É o menino delicado e sem maldades que afirma que a mansão da governadora custou um milhão de reais e não 750 mil, como ela tem sustentado publicamente.

Então, quando tentarem desqualificar a fala de Marcelo nas fitas, os aliados de Yeda devem, antes, considerar que foi de sua boca que saíram as acusações mais fortes contra a família Crusius. Informações estas que, se comprovadas, tem o poder de, mesmo sem toda a outra montanha de denúncias contra a governadora, levar Yeda ao pior momento de sua vida: o impeachment.

(*) Deputado estadual, líder da bancada do PT na Assembléia Legislativa

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