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O que Yeda tem a ver com a Gripe A

14/08/2009 12:00

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Recentemente, em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, o respeitado jornalista Jânio de Freitas, que raramente recorre a termos elogiosos, utilizou a palavra "exitoso" para classificar a atuação do ministro José Gomes Temporão na coordenação do combate à Gripe A H1N1 no país. Para o jornalista, que é crítico ferrenho do PT, o elogio justifica-se pelo fato de Temporão ter assumido a linha de frente no combate à epidemia, demonstrando serenidade e firmeza nas entrevistas diárias à imprensa. Além disso, ele lembrou que as medidas concretas adotadas pelo Ministério da Saúde ao longo dos últimos dois meses, angariaram enorme credibilidade junto à opinião pública e o reconhecimento de organismos internacionais como a Organização Mundial de Saúde (OMS).

No RS, a situação é inversa. O Estado apresenta um índice de 0,44 mortes por 100 mil habitantes, taxa de mortalidade superior a do México, onde o índice é de 0,13 mortes. Ao persistir no descumprimento da Constituição Federal, que obriga os Estados a aplicarem 12% das receitas líquidas em saúde, o governo Yeda fragiliza o atendimento à população, especialmente diante da situação de emergência pública causada pela epidemia. Com um investimento de pouco mais de 4%, a saúde deixou de receber mais de R$ 2 bilhões em dois anos de governo. Recursos que poderiam reforçar a estrutura do setor com a ampliação de leitos de UTI, aquisição de medicamentos, equipamentos, etc.

Sem ações concretas, a população gaúcha tem sido refém das condições climáticas para controlar epidemias. No verão, torcem pelo arrefecimento do calor para conter a transmissão de Dengue, Febre Amarela e Leishmaniose. Agora, a esperança é a chegada da Primavera para deter a nova gripe. Na lógica do descaso, para garantir leitos nos hospitais aos doentes de Gripe A, Yeda mandou suspender todas as cirurgias eletivas na rede pública gaúcha. Não fosse a reação do Sindicato Médico do RS, pessoas que há meses e até anos aguardam vaga hospitalar para realizarem cirurgia teriam seus procedimentos suspensos porque o governo não se preparou para atender a população.

Lula, ao contrário, adotou protocolos técnicos, medidas de controle, enviou profissionais e liberou recursos para os Estados atingidos. Só para o RS, são R$ 34 milhões para obras e equipamentos. Em dois anos, serão construídas 32 Unidades de Pronto Atendimento no Estado, seis delas, nos próximos dois meses.

Um governo responsável, num Estado com 44 mil doentes de Gripe A, agilizaria a contratação de médicos e demais profissionais de saúde para as regiões e municípios mais afetados; reabria imediatamente e sob gestão pública os hospitais Luterano e Independência, ligados à ULBRA, que estão disponíveis e possuem equipamentos e corpo técnico treinado; cadastraria novos hospitais de referência; e ampliaria a capacidade do Laboratório Central do Estado (Lacen) para a realização de exames diagnósticos, que hoje é de apenas 50 exames diários.

Em que pese o caráter técnico das várias decisões adotadas e das atribuições na área da vigilância e tratamento caberem às três esferas de governo, as decisões sobre a epidemia passam sim pela esfera política. O governo Lula está fazendo a sua parte. É lamentável que, no RS, no que se refere à saúde pública, a política predominante ainda seja a do descaso.

Elvino Bohn Gass é deputado estadual e líder da bancada do PT na ALRS

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