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BOICOTE À CPI: YEDA DISSE QUE NÃO CAIRIA SOZINHA. ALIADOS ENTENDERAM O RECADO

17/11/2009 12:00

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Os deputados Adilson Troca,(PSDB) e Luciano Azevedo (PPS), estiveram ausentes em 68,42% do tempo total de trabalho da CPI da Corrupção até agora. Em 19 sessões já realizadas pela comissão, cada um deles faltou 13 vezes. Azevedo, ao menos, se deu ao trabalho de justificar cinco faltas. Troca, nem isso fez.

Em segundo lugar na lista dos mais ausentes aparece ninguém menos do que o próprio vice-presidente da comissão, deputado Gilberto Capoani (PMDB), que soma 12 faltas e um percentual de não-trabalho equivalente a 63,15%.

Empatados na terceira posição, Pedro Westphalen (PP) e Sandro Boka (PMDB) com 11 não-comparecimentos cada. Ou seja, deixaram de cumprir suas obrigações em 57,89% do tempo. Westphalen apresentou justificativa para não comparecer a uma das sessões.

Em seguida, com 10 faltas cada um, estão João Fischer (PP) e Iradir Pietroski (PTB). O percentual de não-trabalho dos dois é de 52,63%.

O ranking dos ausentes se completa com o relator da CPI, deputado Coffy Rodrigues (PSDB), que já faltou nove vezes, ou seja, esteve ausente em 47,36% do tempo de trabalho da comissão. Imagine-se como será o relatório de alguém que esteve praticamente metade do tempo fora da comissão...

A CPI já realizou 19 sessões e em 17 delas houve tentativa, por parte da presidenta Stela Farias (PT), de colocar em votação requerimentos de testemunhas. Mas o boicote sistemático dos deputados de partidos que apoiam o governo Yeda, impediu que 31 requerimentos dos 59 já apresentados, sequer fossem apreciados. E nas poucas vezes em que os governistas garantiram o quórum para votação, ainda assim rejeitaram 25 requerimentos e aprovaram apenas12.

A retirada de quórum é um expediente largamente utilizado nos parlamentos. Questionável, mas legítimo. Contudo, retirar-se do plenário para impedir votações é um movimento normalmente utilizado pela minoria, seja para tentar convencer outros parlamentares a mudar de posição, seja para chamar a atenção a determinado assunto e, neste tempo, tentar obter apoio popular à causa.

Nenhum desses é o caso da maioria governista na CPI da Corrupção. Dos 12 titulares da comissão, a base de Yeda conta com oito deputados, ou seja, uma folgada maioria que detém 66,66% das vagas. Mas porque, então, os deputados yedistas não comparecem à CPI?

As explicações parecem evidentes:

1) PMDB, PSDB, PP, PPS e PTB não querem sofrer o desgaste de votar "não" a requerimentos que eles mesmos considerariam fundamentais se pretendessem realizar um bom trabalho

2) PMDB, PSDB, PP, PPS e PTB tentam impedir o debate sobre a importância dos depoimentos de alguns de seus companheiros de partido como Eliseu Padilha, Marco Alba (PMDB) José Otávio Germano, Flavio Vaz Netto e Antônio Dorneu Maciel (PP), Chico Fraga (PTB) e Delson Martini (PSDB) porque sabem que há farta documentação a fundamentar suspeitas sobre estes personagens

3) PMDB, PSDB, PP, PPS e PTB não querem expor a governadora Yeda e, por isso, impedem os depoimentos de pessoas muito ligadas à governadora como a sua ex-super-assessora Walna Villarins Meneses

4) PMDB, PSDB, PP, PPS e PTB tem medo do que possam dizer à CPI os empreiteiros Marco Antônio Camino, da MAK Engenharia e Edgar Cândia, da Magna Engenharia, sobre os quais há fortíssimas suspeitas de que tenham pago propinas a políticos desses partidos em troca de favorecimentos em obras cujas licitações foram fraudadas

A verdade é que a maioria dos deputados que apoiam Yeda só toparam assinar o requerimento para a criação da CPI porque não tinham mais como explicar ao povo gaúcho sua omissão diante de tantas escândalos de corrupção. Assinaram, mas agora estão impedindo a investigação porque sabem que se os detalhes da roubalheira vierem à tona, o prejuízo aos seus partidos pode ser irrecuperável.

Assim, parece que a conta que os deputados da maioria fazem agora é: mesmo que o boicote à CPI renda-nos a fama de vadios e a suspeita de conivência com a quadrilha, ainda assim será um estrago menor do que o aparecimento da verdade. Esta sim tem potencial para sepultar biografias, comprometer candidaturas e até, acabar de vez com o governo Yeda. E isso.. ah, isso a maioria não quer. Ou não pode, porque afinal, Yeda já avisou: se cair, não cai sozinha.

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