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Bohn Gass diverge de ruralistas sobre Código Florestal e adição de açúcares no fumo

17/03/2011 12:43

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Comissão de Agricultura da Câmara Federal:

Em sua primeira reunião como titular da Comissão de Agricultura da Câmara Federal, o deputado Elvino Bohn Gass (PT) bateu de frente com a bancada ruralista debate dos dois temas que dominaram a pauta: novo Código Florestal e adição de açúcares no fumo. "Na bancada ruralista a defesa do agricultor familiar é apenas retórica. Votar o novo Código Florestal a toque de caixa representa um risco concreto de não incorporação das emendas das entidades de trabalhadores rurais. No caso do fumo, fala-se em defender o agricultor mas sem tocar em questões fundamentais como o preço pago pelas indústrias aos produtores e classificação que continua sendo feita sem a presença de quem planta. Saí com a impressão de que o interesse predominante não é o agrícola, mas o empresarial", disse Bohn Gass.

Diante da ausência do novo Código Florestal na lista divulgada pela Mesa Diretora com os projetos que deverão ser votados no mês de março, houve queixas generalizadas do ruralistas. Para Bohn Gass, contudo, não há razão para açodamento. "Na tentativa, correta, de buscar consensos, o presidente Marco Maia formou uma Comissão Especial com representantes dos produtores, ambientalistas, políticos governistas e de oposição, um membro da Mesa e o relator Aldo Rebelo. A Comissão vai analisar as emendas e ainda não concluiu seu trabalho. Os ruralistas desprezam o debate." O deputado lembra que a Câmara Federal age bem ao não entender o novo Código Florestal como um tema já discutido: "A renovação nesta Casa foi de 46%, ou seja, metade dos deputados não se apropriou deste assunto cuja importância pode ser medida, entre outros aspectos, pelos constantes desastres ambientais que o país tem vivido".

Bohn Gass votou favorável ao requerimento do deputado Luís Carlos Heinze (PP/RS) que convoca organismos governamentais a fim de explicarem a medida da Anvisa que faz valer a proibição da adição de açúcares ao fumo. "Votei sim porque quero aprofundar o debate. Mas discordo dos ruralistas quando tentam fazer parecer que, nesta tema, haverá inevitável prejuízo aos produtores. Pedi a presença do Ministério do Desenvolvimento Agrário na audiência da Comissão de Agricultura justamente porque já há projetos de reconversão desta cultura. E porque não se fala do preço aviltante que as indústrias fumageiras pagam aos plantadores? E será mesmo que devemos manter uma prática como a adição de açúcares e achocolatados a um produto que, por causa disso, cada dia ganha mais e mais consumidores mas que, no entanto, mata? Penso que o ideal não será ajudar os agricultores a encontrarem novas alternativas de renda?"

O projeto de lei do falecido deputado Adão Pretto (PT/RS) que garante a presença do produtor durante o processo de classificação do fumo pelas empresas será reapresentado por Bohn Gass. "Vamos falar mais sério com os agricultores familiares. Vamos fazer leis que os protejam de fato e não que os usem como argumento para medidas que, ao fim e ao cabo, fazem aumentar a renda, mas não deles e sim das empresas," disse Bohn Gass ao final da reunião.

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