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O mandato Bohn Gass e o Piso do Magistério

16/04/2012 06:53

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Por conta de o Governo do Estado não estar pagando, ainda, o Piso Nacional do Magistério, temos recebido manifestações de companheiros(as), de professores(as), de cidadãos não-filiados ao PT que acreditam em nosso mandato e, ainda, de oportunistas políticos que se aproveitam do que pensam ser uma contradição.E, por isso, nos atacam. Estes últimos, desconsideramos. Mas aos demais, por considerarmos que a indignação é um sentimento-cidadão benéfico para a democracia, temos tentado esclarecer a posição de nosso mandato.


1 - o mandato do deputado Bohn Gass SEMPRE esteve ao lado do magistério estadual. Quando dizemos sempre, leia-se sempre mesmo: quando as bombas de efeito moral explodiam na Praça da Matriz, quando os cachorros mordiam braços de professores, quando as balas de borracha atingiam os trabalhadores.

 

2 - inúmeras as vezes,Bohn Gass atuou como interlocutor entre a categoria e os governos (o que muito nos orgulha): a) para negociar que as representações do CPERS fossem recebidas no Piratini ou na SEC; b) para que se coibisse o uso da força bruta/policial contra os servidores; c) para reivindicar o não-corte do ponto dos manifestantes; d) para defender a melhoria de propostas muitas vezes indignas; e) para, junto às forças policiais, exigir que se relaxassem prisões arbitrárias de sindicalistas (como foi o caso, por exemplo, da manifestação cujo único objetivo era mostrar a discrepância entre a mansão em que morava a governadora Teda e as escolas de lata a que ela submetia a comunidade escolar).

3 - temos uma HISTÓRIA de defesa das questões do magistério. E uma história que não se fez num ano ou numa única mobilização pontual; mas uma história que se construiu a partir da confiança obtida através de posicionamentos, votos e lutas ao longo de toda uma vida. O deputado Bohn Gass é casado com uma professora estadual e conhece bem de perto a realidade desses trabalhadores.

4 - esta história não se construiu de forma episódica e, portanto, ela não será encerrada de modo episódico, pontual. Não jogaremos no lixo uma história de defesa dos interesses e direitos dos professores por conta da dificuldade que um governo do nosso partido encontra para pagar um benefício justo e durissimamente conquistado, como é o caso do Piso Nacional.

 

5 - poucos mandatos defenderam tanto o Piso quanto o mandato Bohn Gass. Jamais dissemos ou diremos o contrário. Somos, sempre fomos, favoráveis ao seu pagamento.

6 - a questão que se impõe, contudo, não é a da justiça do piso, mas da possibilidade real de pagá-lo. E isto, nós, com a nossa história e apesar dela, reconhecemos. Mas isto, em nosso modo de ver, não nos autoriza a chamar quem quer que seja, de traidor. Traidores, para nós, são os que historicamente, nos atacaram, não os que, historicamente, estiveram ao nosso lado.

 

7 - Para o mandato de Bohn Gass, o governador Tarso Genro não é um traidor. De mesma forma, na Secretaria de Educação, temos companheiros que lutaram a vida inteira pela educação, pelos direitos dos trabalhadores, pela dignidade da categoria. Tomemos o caso do companheiro José Clóvis e da companheira Eulália, respectivamente secretário titular e secretária-adjunta. Ora, nós os conhecemos! Eles, como nós, estiveram em muitas, muitas mesmo, caminhadas, assembleias, mobilizações, negociações. Nós construímos JUNTOS uma história de lutas e conquistas. A nós, não é dado, portanto, o direito de tratar companheiros valorosos como eles, de traidores. Já dissemos, vamos repetir: nossa história não se resume à luta pelo piso, nossa história de lutas conjuntas INLCUI o piso, não começa e NEM ACABA nele. 

8 - Nós acreditamos que nosso governo respeita os trabalhadores em educação e tem dado provas disso; nosso governo tem dado os maiores aumentos possíveis (melhores do que qualquer governo anterior, diga-se) e isto é uma demonstração real, concreta, de respeito aos professores; jamais de traição! Nosso governo tem o real desejo político de alcançar o valor do piso nacional e sabemos o quanto esforço isto tem demandado.

 

9 - nós acreditamos que é este, e não outro governo, que pode melhorar objetivamente as condições de uma categoria historicamente massacrada. Não nutrimos a ilusão de que um governo, por exemplo, da senadora Ana Amélia ou uma reedição de um governo do PMDB, trataria melhor esta questão. Enfraquecer o governo Tarso, porém, não necessariamente reforça qualquer luta; pode, isto sim, retardá-la. E muito.

10 - tomemos o caso dos juízes gaúchos que recebem um vergonhoso auxílio-moradia: R$ 600 milhões para 900 pessoas! Pois nosso governo, diferente  de qualquer outro, está tentando - pelas vias legais porque, afinal, não há outras - brecar este privilégio. Seria esta uma forma de ampliar as condições financeiras do caixa do Estado e, assim, quem sabe, conceder novos e melhores aumentos salariais aos professores. Podemos chamar de traidor um governo que age assim? Não, nós entendemos que não. Ao contrário, entendemos que devemos reforçar lutas como estas para viabilizar as condições econômicas de um Estado depauperado e, então, cumprir nosso papel de dizer francamente ao governo: se entrou dinheiro, que se pague melhor os professores; que se cumpra o piso.

11 - se verá aqui, que momento algum entramos no mérito do piso pelo INPC ou pelo Fundeb. O fazemos propositalmente. Porque o que queremos não é encontrar, a qualquer custo, uma marca ou uma linha de defesa para imunizar nosso governo. Nosso propósito é um tanto maior. Nós acreditamos que tudo o que puder ser feito para valorizar os professores, este governo fará.

12 - se, por conta de nosso posicionamento, os resultados das urnas nos forem desfavoráveis, nos restará tão somente refletir profunda e honestamente sobre nossos acertos e erros. Mas não será por elas - as urnas - que deixaremos de acreditar nos sonhos que nos movem tanto quanto a indignação de quem nos reclama um posicionamento sobre o piso.

 

13 - as urnas, nós já aprendemos, não necessariamente refletem justiça. Daí que não nos conduzimos por elas. Apenas buscamos no voto a compreensão e o reconhecimento de nosso trabalho e de nossas posições que acreditamos sólidas porque construídas a muitas mãos, corações e mentes. Jamais demagógica, mas franca e honestamente. Assim, com os que permanecerem ao nosso lado, seguiremos lutando pelo que acreditamos.

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