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Conjuntura - À BEIRA DO FASCISMO - Bohn Gass

25/02/2016 05:41

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Conjuntura - À BEIRA DO FASCISMO - Bohn Gass

Bohn Gass comenta declaração irresponsável de delegado sobre Lula e a detenção temporária do publicitário João Santana:

"Começamos a semana com duas notícias "bombásticas": a prisão temporária do publicitário João Santana e uma frase de um relatório de um delegado dizendo que Lula deve ser investigado, atenção para as palavras,  "pelo pos-sí-vel envolvimento em práticas criminosas".

Vamos lá: a prisão de Santana se deu porque se descobriu que ele recebeu dinheiro no exterior.

Santana, como se sabe, faz campanhas publicitárias em toda a América Latina, daí que não parece muito difícil para ele explicar recebimentos no exterior.

A propósito, queria compartilhar com os senhores e as senhoras um estranhamento: um publicitário que sabidamente ganha milhões por seus trabalhos e contra quem há apenas suspeitas, tem a prisão temporária decretada.

Mas e aquele outro que mentiu publicamente dizendo que não tinha dinheiro no exterior e depois se descobriu que tinha; e contra quem também pesam suspeitas de corrupção? Aquele, que preside a Câmara dos Deputados e atende pelo nome de Eduardo Cunha, não será preso?

Sobre a declaração do tal delegado a respeito de Lula, ela foi justificada por uma anotação de uma funcionária da Odebrecht onde se lia "Prédio IL” e, ao lado, um número.

Foi isso, e tão somente isso, que fez a polícia imaginar que a anotação se referiria ao Instituto Lula.

Bem, mas e a palavra “prédio”, o que quereria dizer?

Para quem pretende concluir que trata-se de "prédio do Instituto Lula", é importante que se saiba:

- o Instituto Lula jamais fez construções.

- o institulo Lula está instalado num sobrado que não é novo, o que torna a "dedução" policial um tanto esdrúxula.

Mas enquanto isso, um procurador dá entrevista à Veja dizendo que vai denunciar Lula sem, sequer, tê-lo ouvido, o que fez com que o Conselho Nacional do Ministério Público concluísse que se tratava de pré-julgamento.

Enquanto isso, também, delegados da área de correição da Polícia Federal afirmam que outros delegados, em Curitiba, e que publicamente fizeram campanha para Aécio, estão manipulando provas na Operação Lava Jato. 

Não, gente, não se trata de negar fatos; trata-se, isto sim, de exigir que os tais fatos apareçam.

Porque deduções, prejulgamentos e manipulações NÃO SÃO FATOS.

Diante disso, ocorre-me o sarcasmo de Balzac que, há mais de 200 anos, disse:  “para jornalistas, tudo o que é provável é verdadeiro”.

Mas que a imprensa tenha esse comportamento torpe nós só podemos lamentar e seguir lutando por uma regulamentação decente.

Mas quando é a polícia quem age assim, bem, aí estamos à beira de um Estado de exceção que desliza, perigosamente para o fascismo.

 

 

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