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PT, PCdoB, Rede, PSol e PTdoB se unem em sessão histórica da Câmara após afastamento de Cunha

06/05/2016 07:53

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PT, PCdoB, Rede, PSol e PTdoB se unem em sessão histórica da Câmara após afastamento de Cunha

Deputados do PT, PCdoB, Rede, PSol e PTdoB demonstraram união e força mais uma vez na defesa da democracia no final a manhã desta quinta-feira (5), no plenário da Câmara. Mesmo com os microfones desligados e a transmissão televisiva cortada por determinação do vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), eles realizaram uma sessão histórica para comemorar o afastamento do deputado Eduardo Cunha (PMDB­RJ) da presidência da Câmara pelo Supremo Tribunal Federal. Presidida pela deputada Luiza Erundina (PSol-SP), a sessão informal abriu espaço principalmente para que os deputados reforçassem a tese de que o STF precisa anular também a sessão presidida por Cunha, que aprovou a abertura de processo contra a presidenta Dilma Rousseff.

O deputado Henrique Fontana (PT-RS) afirmou que o afastamento de Cunha, mesmo tarde, reafirma e fortalece a tese da ilegitimidade do golpe parlamentar conduzido por Eduardo Cunha. “O afastamento abre espaço para anular o processo contra uma presidenta honesta, que foi aberto por vingança, por retaliação porque o PT se negou a votar a favor de Cunha no Conselho de Ética”.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) disse que nenhuma arbitrariedade pode calar a democracia. “Encerrar uma sessão, tirar o microfone, tirar o nosso direito de falar faz parte do jogo antidemocrático e golpista e mostra o poder que Cunha ainda exerce, mesmo no dia do seu afastamento”, avaliou a deputada. Ela assegurou, no entanto, que o golpe não passará e que as vozes da democracia continuarão denunciando as arbitrariedade e as manobras.

Rosário também defendeu a anulação do processo de impeachment aprovado pela Câmara. Se um dos motivos do STF para o afastamento de Cunha foi a pressão e as chantagens que ele fez para se manter no poder e não ser cassado, imagina o que ele não fez de chantagem e pressão para aprovar o impedimento da presidenta Dilma?”, questionou.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) lamentou a atitude do vice-presidente e considerou que ela mostra o quanto os “golpistas ainda estão rastejando para Eduardo Cunha”. “Esse poder, infelizmente rasteja, está em silêncio nesse pacto com as trevas para tentar consumar o golpe. Lamentavelmente parte dos nossos parlamentares dão os ombros para serem pisoteados por Eduardo Cunha”. Para Erika, suspender o funcionamento da Casa porque Cunha foi afastado pelo STF é dizer que o que estamos assistindo é uma “tirania”, é reconhecer que Eduardo Cunha é o dono do poder Legislativo. Mas não é. É exatamente o contrário, Cunha é sinônimo do que tem de pior na política brasileira”, afirmou.

A deputada Luiza Erundina considerou o afastamento de Cunha como “vitória da democracia” e disse que a Casa precisa resgatar sua credibilidade. “A Casa deveria ter afastado há muito tempo esse deputado corrupto”, afirmou. Ela também condenou o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e a ascensão do vice­presidente da República Michel Temer ao Poder. “Que situação é essa? Que País é esse?", desabafou.

O deputado Glauber Braga (PSol-RJ) disse que a decisão de afastar Cunha veio tarde. “Fez tarde. Por que não fez antes? Já tinha os elementos encaminhados pela Procuradoria-Geral da República há muito mais tempo. Isso tem de ser dito”, afirmou.

Mesmo tarde, o deputado Alessandro Molon (RJ), considerou a decisão do Supremo “corajosa”. “Cunha não podia usar o mandato, a presidência da Câmara, e ficar impune. Ele podia muito, mas não podia tudo. O limite dele é a lei”, comemorou.

Vânia Rodrigues

Foto: Gustavo Bezerra

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