Cadastra-se para receber notícias
Bohn Gass: “Reforma de Temer será o fim do agricultor como Segurado Especial da Previdência”

26/04/2017 05:47

Tamanho da fonte

Bohn Gass: “Reforma de Temer será o fim do agricultor como Segurado Especial da Previdência”

- Para o deputado, aumento da idade mínima para aposentadoria significa perda imediata a quem trabalha

“O maior prejuízo que o homem e a mulher do campo terão se a reforma da Previdência do governo de Temer e dos tucanos for aprovada, é o fim da condição de Segurado Especial da Previdência”. A constatação é do presidente da Frente Parlamentar Nacional em Defesa da Previdência Rural, deputado federal Elvino Bohn Gass (PT/RS) considerando que, além da perda econômica, os trabalhadores e as trabalhadoras rurais serão vítimas de uma profunda injustiça. Em audiência da Frente Parlamentar nesta terça-feira (25), Bohn Gass ouviu de representantes da CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, a mesma avaliação em relação à reforma da Previdência.  

O que caracteriza a condição de Segurado Especial da Previdência aos agricultores é a contribuição feita por meio da produção, ou seja, a partir do que a família obtém como renda após comercializar os produtos do seu trabalho. “Com a proposta de Temer, a Previdência passa a exigir uma contribuição fixa e mensal de cada membro da família. A previsão é de que será algo em torno de R$ 50 reais por pessoa, o que compromete, definitivamente, a renda da agricultura familiar. Isso é um absurdo, ainda mais porque a renda desses homens e mulheres é de acordo com a safra. E safras não se colhem todos os meses”.

A PERDA DAS MULHERES – A audiência da Frente Parlamentar teve o objetivo de analisar as propostas de mudança do projeto original, após o governo ter cedido em alguns pontos da reforma. Bohn Gass saudou a mobilização nacional que já obrigou o governo Temer a fazer modificações no projeto, mas garante que as mudanças não corrigem as distorções. “A principal injustiça continua. Antes, tentaram exigir que as mulheres trabalhassem até os 65 anos, como os homens. Isso caracterizava o desprezo deste governo para com a dupla jornada feminina e foi totalmente rechaçado pela sociedade. Então, passaram a exigência para 57 anos no meio rural e 62 anos no meio urbano, mas basta um cálculo simples para ver que isso também representa uma grande perda de renda para as trabalhadoras porque esse tempo que se amplia até que elas consigam aposentadoria, é um período em que ela já poderiam estar recebendo. Para os homens, valem cálculos semelhantes, ou seja, todo mundo      que trabalha perde com essa reforma”.

BOHN GASS CALCULA PERDAS IMEDIATAS PARA AS MULHERES*

 

Trabalhadora Rural

Idade mínima hoje: 55 anos

Projeto original: 65 anos

Com as mudanças: 57 anos

Esses dois anos a mais esperando para receber aposentadoria representam 26 salários (24 meses + 2 décimos terceiros) a menos. No valor de um salário mínimo, teríamos R$ 937,00 X 26. Ou seja, a trabalhadora rural deixará de receber R$ 24.362,00 da Previdência.

 

Trabalhadora urbana (exemplo)

Com 28 anos de contribuição, como é hoje, se ela tivesse começado a contribuir com 16 anos, faltaria 1 ano e meio para aposentadoria. Mas com o que está proposto na reforma, ela precisará trabalhar por mais 2 anos e 8 meses e, portanto, terá 15 salários a menos (14 meses + 1 décimo terceiro): 15 meses x R$ 937,00 = R$ 14.055,00.

Compartilhe:

  • Facebook
  • Share on Twitter