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Celso Amorim: “Intervenção é um instrumento extremo e perigoso”

16/02/2018 04:56

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Celso Amorim: “Intervenção é um instrumento extremo e perigoso”

O ex-chanceler e ex-ministro da Defesa duvida da eficácia da medida proposta por Brasília para conter a violência no Rio de Janeiro
Ministro da Defesa no primeiro mandato de Dilma Rousseff e chanceler nos anos Lula, o diplomata Celso Amorim ainda tenta entender as motivações da proposta de intervenção militar no Rio de Janeiro. “É um instrumento extremo. Especialmente em ano eleitoral, também é muito perigoso. Além disso, pelo que sei, as Forças Armadas não se sentem confortáveis em uma situação como esta”.
Segundo Amorim, esse tipo de intervenção causou distorções em outros países, a começar pelo México, onde a violência não diminuiu e o narcotráfico acabou por dominar uma parte relevante do território. O ex-ministro ainda aponta um risco de politização das Forças Armadas e relembra que, além do Rio de Janeiro, o Exército tem sido chamado a atuar em Roraima, por conta da forte onda de migração de venezuelanos.
Leia também:
O que é uma intervenção federal?
“Talvez Temer queira mostrar à população que está trabalhando. No primeiro momento, é provável que a medida cause um efeito psicológico positivo, tem um sabor espetacular. O problema da insegurança é grave e ninguém é contra medidas que busquem resolver ou atenuar a situação. Mas as Forças Armadas não estão preparadas para atuar por um longo prazo na segurança interna. É uma distorção de suas funções”.

Publicada originalmente em Carta Capital

 

O ex-chanceler e ex-ministro da Defesa duvida da eficácia da medida proposta por Brasília para conter a violência no Rio de Janeiro

 

Ministro da Defesa no primeiro mandato de Dilma Rousseff e chanceler nos anos Lula, o diplomata Celso Amorim ainda tenta entender as motivações da proposta de intervenção militar no Rio de Janeiro. “É um instrumento extremo. Especialmente em ano eleitoral, também é muito perigoso. Além disso, pelo que sei, as Forças Armadas não se sentem confortáveis em uma situação como esta”.

Segundo Amorim, esse tipo de intervenção causou distorções em outros países, a começar pelo México, onde a violência não diminuiu e o narcotráfico acabou por dominar uma parte relevante do território. O ex-ministro ainda aponta um risco de politização das Forças Armadas e relembra que, além do Rio de Janeiro, o Exército tem sido chamado a atuar em Roraima, por conta da forte onda de migração de venezuelanos.

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“Talvez Temer queira mostrar à população que está trabalhando. No primeiro momento, é provável que a medida cause um efeito psicológico positivo, tem um sabor espetacular. O problema da insegurança é grave e ninguém é contra medidas que busquem resolver ou atenuar a situação. Mas as Forças Armadas não estão preparadas para atuar por um longo prazo na segurança interna. É uma distorção de suas funções”.

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