Cadastra-se para receber notícias
Fim da crise do leite só depende de ação dos governos Temer e Sartori

23/04/2018 09:32

Tamanho da fonte

Fim da crise do leite só depende de ação dos governos Temer e Sartori

// Bohn Gass: “O diagnóstico não muda. Mas faltam medidas concretas.”

Se o governo federal e o governo estadual tiverem vontade política, podem pôr fim à crise do leite. Essa foi a tônica de todas as manifestações feitas durante o Encontro do Leite, promovido pela Comissão de Agricultura da Câmara Federal e pelo Grupo do Leite da Assembleia Legislativa do RS, nesta segunda-feira (23), na Câmara de Vereadores de Lajeado.

“A síntese é: acabar com a crise só depende da vontade política e da ação de Temer e de Sartori. Mais uma vez, o diagnóstico aponta as importações desenfreadas e a falta de compras públicas como causadoras da crise. Quem pode mudar isso? Os governos”, resumiu o deputado Elvino Bohn Gass (PT/RS), um dos organizadores do encontro.

O Rio Grande do Sul perdeu, nos últimos tempos, mais de 24 mil produtores de leite que abandonaram a atividade por falta de renda. Isso fez com que o Estado perdesse, também, a condição de 2ª bacia leiteira do Brasil, sendo ultrapassado pelo Paraná (Minas Gerais continua em 1ª lugar). Esses são, conforme o deputado estadual Zé Nunes (PT), reflexos diretos da falta de ação dos governos federal e estadual, que não tomaram medidas para o enfrentamento da crise.

Nunes denunciou, ainda, que o Grupo de Trabalho do Leite já pediu audiência com o governador Sartori, mas que não obteve resposta. “Não é possível que o governo do Rio Grande do Sul, que é uma porteira aberta ao leite uruguaio, continue lavando as mãos e não fazendo nada”, diz Zé Nunes, lembrando só de janeiro a março desse ano, o Brasil já importou 28 milhões de quilos de leite.

Sobre a importação, a presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari, Cíntia Agostini, denunciou: “O governo nos diz que investigou a possibilidade de triangulação (suspeita de que leite de outros países esteja entrando no Brasil, via Uruguai, que não tem quota limite) na importação de leite, mas que não encontrou evidências disso. Quando perguntamos que evidências seriam essas, a resposta foi vaga: não sabemos. Ora, não há como entrar tanto leite assim no Brasil sem que esteja havendo a triangulação” declarou Agostini. Foi da presidente do Codevate, também, que partiu a síntese do encontro: “Temos que revogar decretos e rever cotas de importação. Temos de renegociar dívidas financiamentos de produtores que, por conta da crise, perderam renda. Mas isso tudo já foi dito exaustivamente, e a região do Vale do Taquari, que é a terceira bacia leiteira do Estado e tem um terço da industrialização do produto, foi pioneira nesse diagnóstico. Mas não podemos mais dizer o que deve ser feito. Agora, é hora de fazer. A crise do leite não é apenas resultado de dificuldade econômica, mas é resultado das escolhas dos governos estadual e federal”.

O ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, o deputado federal Dionilso Marcon (PT) e o deputado estadual Nelsinho Metalúrgico, representantes de associações de prefeitos e vereadores, da Fetraf, da Fetag e do MPA, além de produtores de diversas cidades do Vale do Taquari revezaram-se nas falas que reforçaram o mesmo diagnóstico as mesmas saídas.

Em poucos dias deve ser divulgada a Carta de Lajeado, com a síntese do Encontro Sobre o Leite. Com ela, o deputado Bohn Gass pretende buscar o apoio de toda a bancada federal gaúcha para pressionar o governo Temer a tomar medidas, o deputado Zé Nunes reforçará o pedido de audiência com o governador Sartori, também em busca de novas ações concretas em nível estadual. Por sua vez, prefeitos, vereadores e entidades representativas dos produtores, deverão reforçar essas mobilizações.

Compartilhe:

  • Facebook
  • Share on Twitter