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Bohn Gass lança frente para barrar venda de refinarias da Petrobras

21/06/2018 02:49

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Bohn Gass lança frente para barrar  venda de refinarias da Petrobras

Foto Marcelo Tavares/PTnaCâmara: Com apoio de 201 deputados e das maiores organizações de petroleiros do Brasil, a FUP e a CNP, Bohn Gass presidirá a nova frente

// REFAP, no Rio Grande do Sul, está na mira das privatizações de Temer

Em mais uma iniciativa contrária ao povo brasileiro e à soberania nacional,o governo Temer coloca à venda quatro de suas mais importantes refinarias  refinarias: Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul, Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, Landulpho Alves Mataripe (RLAM), na Bahia e Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Essaa refinarias foram construídas com muito investimento público e desenvolvidas a partir de tecnologia nacional de ponta. Em sinal de resistência a esse desmonte, o deputado gaúcho Elvino Bohn Gass (PT/RS) resolveu criar a Frente Parlamentar em Defesa das Refinarias da Petrobras e contra a sua Privatização. Bohn Gass recebeu apoio de 201 deputados de quase todos os partidos e a frente foi lançada nesta quarta-feira (20), no Salão Nobre da Câmara.

O objetivo, segundo Bohn Gass, é reforçar outras iniciativas já em curso no Parlamento como a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras e a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional que, recentemente, lançaram a campanha “O Petróleo é do Brasil”, um movimento suprapartidário, com envolvimento de entidades da sociedade civil, que trabalha para articular uma reação organizada e impedir a privatização da Petrobras como um todo.

“Mas como a estratégia do governo Temer é ir fatiando a empresa, consideramos necessária uma frente que defendesse de forma mais direta, mais específica e mais urgente, as quatro refinarias cujo controle já foi posto à venda”, explica Bohn Gass. A primeira ação de trabalho já foi definida: visitas a todas as refinarias em risco nos quatro estados onde estão localizadas.

Para Bohn Gass, a política de Temer para a Petrobras é suicida. “Estamos vivendo a seguinte situação: temos uma bela lavoura de trigo; temos uma estrutura de moinhos; temos padarias instaladas e temos toda uma logística para fabricar o nosso próprio pão. Mas o que fazemos? Decidimos vender o trigo, sucatear os moinhos, acabar com as padarias, desarticular nossa logística e..  comprar o pão!”.

Presentes ao lançamento da nova frente, representantes da Federação Unificada dos Petroleiros (FUP) e da Frente Nacional dos Petroleiros (FNP), fizeram painéis denunciando o desmonte da maior empresa brasileira.

Desde que assumiu o governo, Temer e sua turma vêm diminuindo a capacidade de refino do óleo bruto no País, o que tem contribuído para aumentar o volume de importação de derivados do petróleo, como gasolina e diesel. Dados divulgados pela própria Petrobras mostram que a estatal, que respondia por 90% da venda interna de gasolina em 2016, reduziu sua participação para 80% em março deste ano. No mercado de diesel, repete-se a queda: a empresa brasileira respondia por 83% das vendas em 2016 e chegou a 64% em janeiro deste ano. Ou seja, deixou de produzir no Brasil para comprar mais caro no exterior, o que fez subir o preço dos combustíveis aqui.

Não bastasse apenas reduzir a capacidade de refino, a intenção agora é vender as refinarias. Segundo o plano de desinvestimento da Petrobras (leia-se: venda do patrimônio público a baixíssimo preço), estão na lista de entrega duas refinarias da região Nordeste e duas da região Sul. A ideia golpista é criar duas subsidiárias, cada uma com duas refinarias, e colocar à venda 60% de cada uma.

O comprador levará ainda cinco terminais de movimentação de petróleo e derivados e mais 770 quilômetros de oleodutos. O mais grave de tudo isso é que, além de vender o patrimônio público, o governo ilegítimo deixa claro para o comprador, que como vantagem, ele abocanhará um potencial mercado de combustíveis nas regiões Nordeste e Norte. Essa nova empresa terá 19% da capacidade de refino do País e, caso conclua as obras de Abreu e Lima, responderá por 24% do mercado.

Já a subsidiária da região Sul reunirá as refinarias Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul, e Presidente Getúlio Vargas, no Paraná, além de sete terminais e 736 quilômetros de oleodutos. Será responsável por 17% da capacidade nacional de refino. “Em oito anos de Fernando Henrique Cardoso, ele não conseguiu ser tão eficiente como capacho do capital internacional. Em apenas dois anos, Temer mostra toda a sua eficiência na entrega da nossa soberania nacional”, define o deputado Enio Lula Verri (PT-PR), que é coordenador regional da Frente em Defesa das Refinarias no Paraná.

O deputado Lula Pelegrino (PT-BA), coordenador regional da frente na Bahia, defendeu a necessidade de uma intensa articulação para acionar o Judiciário. “O que está ocorrendo é uma ação criminosa”, afirma. “Temos que judicializar todos esses procedimentos, nada pode passar de forma tranquila, nada pode ser feito sem que haja questionamento judicial, sem que a gente tenha tomado uma iniciativa para transformar esse tipo de saque numa insegurança jurídica. Temos que dar um sinal claro para esses investidores que estão participando dessa ‘rapinagem’ que ela um dia vai ser apurada e que eles estão se metendo numa aventura ao lado desse governo golpista”, alerta.

A frente conta ainda com dois outros coordenadores regionais: o próprio presidente, deputado Bohn Gass, pelo Rio Grande do Sul, e o deputado Tadeu Alencar (PSB-PE), por Pernambuco. A deputada Luciana Santos (PCdoB) é a 1ª vice-presidente da frente, e o deputado Assis do Couto (PDT), o 2º vice-presidente.

Entre os parlamentares petistas, também participaram do lançamento da frente os deputados Celso Pansera (RJ), Erika Lula Kokay (DF), João Lula Daniel (SE), Luiz Sérgio Lula (RJ), Patrus Lula Ananias (MG) e Pepe de Lula Vargas (RS).

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