Cadastra-se para receber notícias
“SE A REFAP FOR PRIVATIZADA, A GASOLINA FICARÁ MAIS CARA NO RS”

09/07/2019 02:11

Tamanho da fonte

“SE A REFAP FOR PRIVATIZADA, A GASOLINA FICARÁ MAIS CARA NO RS”

Foto Josias Berwanger/Divulgação

// Para especialista, quem comprar a refinaria repassará custo ao consumidor

Não se trata de ideologia, mas de matemática: a eventual privatização da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) significará um aumento do preço da gasolina no Rio Grande do Sul. A explicação é simples: quem comprar terá de pagar alguns bilhões pela refinaria. E como a empresa recuperará esse gasto? Repassando ao consumidor. Além do mais, ninguém consegue produzir petróleo, no Brasil, a custos tão baixos quanto os da Petrobras. Assim, a empresa que ficar com a Refap terá de comprar petróleo da própria Petrobras. E, de novo, esse custo será repassado ao consumidor. “Então, não há a menor possibilidade de o preço da gasolina baixar. Ao contrário, como a empresa compradora terá muitos gastos, certamente o preço na bomba vai subir.” Quem afirma é um dos maiores especialistas do Brasil na área de petróleo, o doutor Paulo César Ribeiro de Lima. Ele esteve em Porto Alegre nesta segunda-feira (8), a convite do deputado federal Elvino Bohn Gass (PT/RS), para participar da Audiência Pública Os Impactos da Privatização da Refap.

“Sob qualquer ponto de vista, a eventual venda da Refap é um mau negócio. Para a Petrobras, que abre mão de um ativo caro, importante e estratégico como uma refinaria; para o Estado, que tem quase 16% de seu ICMS ligado à área do petróleo; e para o consumidor, que vai acabar pagando mais caro pelo combustível”, diz Bohn Gass, Coordenador da Frente Parlamentar Nacional Mista em Defesa da Petrobras na Região Sul.

A audiência pública foi uma iniciativa da deputada estadual Sofia Cavedon (PT) e teve a coordenação do presidente da Comissão de Serviços Públicos da Assembleia Legislativa, deputado Jeferson Fernandes. A Petrobras e o Governo do Estado, convidados para a audiência, não mandaram nenhum representante. “A Petrobras não está aqui para defender a sua política por que não tem como contestar os argumentos técnicos que foram expostos. E o governo do Estado, porque não veio? De certo que o governador Eduardo Leite não se preocupa com os mais de mi empregos que a Refap gera no Rio Grande”, afirmou Bohn Gass.

A MENTIRA DA CONCORRÊNCIA - Primeiros a serem atingidos se a privatização acontecer, os petroleiros lotaram a Sala Adão Pretto da Assembleia, onde aconteceu a audiência. Diretor do Sindipetro RS, Dary Beck Filho tratou de desmentir o principal argumento da Pertrobras para a venda da Refap: “Hoje, o preço dos combustíveis no Brasil segue o mercado internacional, ao menos é o que diz o governo. Pois bem, que empresa privada viria para o Rio Grande do Sul para vender combustível mais barato do que o do mercado internacional? Nenhuma! Então, é mentira que a venda da Refap vai gerar concorrência e fazer o preço da gasolina cair.”

 “A IMPORTÂNCIA DO REFINO” – O convidado especial da audiência, Paulo César Ribeiro de Lima trabalhou por 16 anos no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), onde atuou diretamente no desenvolvimento de tecnologias para a exploração de petróleo em águas profundas. Depois, como consultor técnico do Senado e da Câmara Federal, atuou na elaboração do Marco Legal do Pré-Sal. Toda essa experiência aliada às suas titulações acadêmicas (graduado em Engenharia na UFMG, mestrado na UFRJ e doutorado na Universidade de Cranfield, na Inglaterra, professor da Universidade Federal Norte Fluminense e do Programa de Pós-Gradução da UFRJ) fazem de Paulo César uma das maiores autoridades do setor de petróleo do país, com várias obras publicadas sobre o tema.

Em seu livro mais recente, “A Importância do Refino”, ele repassa todos os períodos da história da Petrobras em diz que, de 1954 até o início da década de 1980, a empresa foi basicamente de refino e que “só no período mais recente, passou a cogitar a venda de refinarias e de outros ativos de logística como dutos e terminais”. Profundo conhecedor das tecnologias, do mercado e das contas da Petrobras, Paulo César sentencia: “O que se quer fazer no Rio Grande do Sul é substitiuir o monopólio público, da Petrobras, por um privado. E um monopólio privado pode levar à escassez de suprimento e ao aumento de preço dos derivados.”

Compartilhe:

  • Facebook
  • Share on Twitter