Cadastra-se para receber notícias
Arno Augustin, Secretário Nacional do Tesouro: "O Brasil está preparado para crescimento de longo prazo"

12/12/2012 05:16

Tamanho da fonte

Arno Augustin, Secretário Nacional do Tesouro: "O Brasil está preparado para crescimento de longo prazo"

Secretário do Tesouro Nacional, o gaúcho Arno Augustin, esteve em Porto Alegre na última segunda-feira. Aqui, uma síntese da palestra que Augustin fez na Capital gaúcha:

Segundo ele, todas as projeções do mercado e do governo apontam que o Brasil terá um crescimento de 4% do PIB no próximo ano. “Estamos conseguindo fazer as mudanças estruturais na economia e lançamos as bases para o crescimento de longo prazo. Essa tendência veio para ficar. O governo está trabalhando para reduzir custos e aumentar a competitividade no País”.

Na noite de segunda-feira (10) Arno Augustin falou sobre o tema Um Brasil de Oportunidades para empresários, dirigentes do mercado financeiro e políticos. “Neste ano, que é de crise internacional, preparamos o Brasil para crescer”. As opções da presidenta Dilma, destaca ele, são “a defesa estratégica do Estado e da população brasileira”.

“A crise internacional desacelerou a economia brasileira em 2011 e 2012 e nos colocou novos desafios: continuar crescendo, enquanto a maioria dos países está desacelerando ou mergulhando na recessão. A crise reduz a confiança, provoca a contração dos mercados e acirra a competição. Para reagir, exige ação anticíclica dos governos (estímulos), redução de custos e aumento da produtividade e competitividade”.

“O Brasil tem hoje solidez financeira invejável. Tem investimentos estrangeiros significativos. Temos condições de dar um salto de qualidade nos investimentos, principalmente em setores que necessitam de investimentos estatais, como na infraestrutura”.

PIB

“Estamos projetando um ano bom para 2013, semelhante a 2010. A economia já voltou a se acelerar no segundo semestre deste ano, com sustentabilidade. O PIB cresceu 0,2% no segundo trimestre, em relação ao trimestre anterior. No terceiro trimestre o PIB cresceu 0,6% em relação ao segundo. Esse é um resultado muito importante. E as projeções do mercado para o último trimestre oscilam entre 0,8% e 1,5%, previstos pela consultoria LCA. O banco Credit Suisse projeta elevação de 1,3%”.

“A indústria reagiu no terceiro trimestre, com taxa de crescimento de 1,1% em relação ao trimestre anterior. Serviços não teve crescimento porque a intermediação financeira caiu, provocada pela queda dos juros. Mas este é um fator absolutamente sazonal. Já o Comércio, Serviços de informação, Atividades imobiliárias e aluguéis, Administração, saúde e educação públicas e Outros serviços cresceram”.

Investimento

“O Investimento vem crescendo acima do crescimento econômico, o que dá sustentabilidade. O Investimento vem crescendo acima do PIB e do consumo desde 2006, com exceção de 2009. Entre 2006 e 2011, a média de crescimento anual do investimento foi de 9,4%, diante do aumento de 2,4% do PIB e de 5,4% do consumo”.

Emprego

“Em 2012 estamos (dado de outubro) com a menor taxa de desemprego da história do Brasil: 5,3% da população economicamente ativa, e em queda. Os Estados Unidos estão com taxa de desemprego de 7,9%, também em queda, e a Zona do Euro está com 11,6%, em alta”. “As mudanças tributárias reduzirão os custos, os tributos sobre os salários. Essa é a estratégia”. “A redução dos custos não pode ser no corte de empregos, porque reduz o consumo”.

Confiança

“Há um aumento da confiança na economia do país, expressa pelas taxas dos títulos sobreranos brasileiros. A taxa dos títulos soberanos brasileiros, com prazo de 10 anos, foi de 2,7% ao ano (em setembro passado), contra 1,6% das taxas das Notas do Tesouro dos EUA, de mesmo prazo, negociadas no mercado secundário em mesma data”.

As bases do crescimento de longo prazo:

1) Queda da Taxa de Juros – “os juros básicos da economia e dos títulos financeiros estão caindo e é razoável a queda da taxa de retorno". No final de outubro a taxa de juros real estava em 1,74%, em queda ao ano. A taxa Selic estava em 7,25%, também em queda. "Reduzir juros significa reduzir rentabilidade, mas também, significa reduzir custos. Se o custo de remuneração do capital é alto, o empresário não investe";

2) Câmbio competitivo – a média da cotação do dólar comercial no primeiro semestre de 2011 foi de R$ 1,63. No segundo semestre de 2011, foi de R$ 1,72. No primeiro semestre deste ano, a média do dólar esteve em 1,87. E de junho a novembro de 2012, a média é de R$ 2,03. “A política de câmbio do governo visa reduzir volatilidade. Possibilita exportar mais”. A postura do governo é tornar a cotação do real ante o dólar mais realista, embora o câmbio seja flutuante: “o governo não tem nenhuma meta para o câmbio”. Em 2013, "se houver algum ajuste no câmbio, não terá tanto impacto na inflação".

“Há um tempo entre o juro cair e o câmbio se estabilizar. Isso veio para ficar. As duas mudanças vieram para ficar. São mudanças que demoram a ter efeito. Precisam permanência porque o empresário demora a se convencer que pode ter confiança e investir”;

3) Investimento – “Começamos na semana passada o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que destina R$ 100 bilhões para financiamento em 2013, a juros negativos” – o BNDES entrará com R$ 85 bilhões e o sistema bancário privado com R$ 15 bilhões de recursos próprios. "Reduzimos também a TJLP para 5% e vamos conceder crédito de baixo custo". O governo vai continuar a incentivar o setor privado a também conceder crédito de baixo custo.

4) Energia – “A energia elétrica vai cair, em média, 20,2% no início de 2013 – 16,2% para baixa tensão e até 28% para alta tensão, porque precisamos ter competitividade. Isso, de reduzir os custos da energia, nunca aconteceu no Brasil. É um estímulo importante para desenvolvimento. Isso vale também para o setor público. Há uma redução de custos importante em toda a economia”. A redução dos encargos setoriais terá impacto de 7% na redução das tarifas e a prorrogação das concessões com indenização de ativos terá impacto de 13,2%. A desoneração de impostos que o governo está realizando para a redução dos custos das empresas "está longe do fim".

5) Infraestrutura - Augustin afirmou também que a redução de barreiras à entrada do setor privado no segmento de portos era necessária para aumentar a oferta de serviços de logística a empresas no Brasil. "Nesse contexto, a licitação de portos será por menor tarifa e maior movimentação" de cargas, destacou.

De acordo com o secretário, o programa de infraestrutura desenvolvido pelo governo, que envolve vários setores, como o de rodovias, portos, aeroportos e ferrovias é "mudança estrutural para médio e longo prazos para o Brasil. Segundo ele, tais fatores vão permitir maior crescimento do País no futuro.

Ele afirmou ainda que a taxa de retorno em projetos de infraestrutura é "definida pelo mercado". Augustin ressaltou que a "tendência de queda da taxa de retorno no Brasil é irreversível".

6) Educação – “Nós propusemos que toda a renda do pré sal vá para a educação. Deve ir para o que há de mais estratégico a longo prazo, que é a educação. Não há apoio, não há salários sem recursos. Por isso botamos o pré sal na educação”.

7) Investimentos

PAC - O Programa de Aceleração do Crescimento prevê investimentos de R$ 955 bilhões no período 2011-2014, dos quais R$ 708 bilhões correspondem a obras que serão concluídas até 2014. Daquele valor, R$ 278,2 bilhões são para projetos do PAC Minha Casa Minha Vida.

Estímulo aos investimentos dos estados: Proinveste - linha de crédito de R$ 20 bilhões do BNDES. PAF - ampliação do limite de financiamento dos estados em R$ 58,3 bilhões. “Isso é fundamental para o desenvolvimento. O Rio Grande do Sul teve seu limite ampliado para R$ 2,7 bilhões”.

8) Infraestrutura

Investimentos em rodovias e ferrovias: R$ 133 bilhões para construção de 7,5 mil km de rodovias e 10 mil km de ferrovias, para Restabelecer a capacidade de planejamento integrado do sistema de transportes, para a integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, articulação com as cadeias produtivas e redução tarifária.

Trem de Alta Velocidade entre Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas – investimento de R$ 35,6 bilhões.

Programa de Investimentos em Portos: Novos Investimentos em concessões, arrendamentos e TUPs: R$ 54,2 bilhões (R$ 31 bi em 2014 e 2015, R$ 23,2 bi em 2016 e 2017). Investimentos em acessos aquaviários (R$ 3,8 bilhões ) e terrestres (R$ 2,6 bi), com 45 intervenções em 18 portos.

Todo esse quadro, afirmou o secretário Arno Augustin, expressam a opção da presidenta Dilma, pela “defesa estratégica do Estado e da população brasileira”.

Compartilhe:

  • Facebook
  • Share on Twitter