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Novas oportunidades para jovens rurais exigem maior escolaridade no campo

31/08/2011 10:03

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Novas oportunidades para jovens rurais exigem maior escolaridade no campo

 - 1º Seminário Nacional de Juventude Rural -  Na segunda parte do painel de abertura do 1º Seminário Nacional de Juventude Rural, Márcio Pochmann dedicou-se a apresentar o que chamou de “oportunidades para a construção de novas políticas públicas para a juventude rural”. Primeiro, informou que com a reorganização e modernização das indústrias da carne, há uma expectativa de que até 100 milhões de hectares hoje ocupados pela pecuária extensiva, sejam liberados para outras culturas.

            Segundo Pochmann, esta é uma oportunidade para que a agricultura de baixo carbono – combina produção de alimentos e biocombustíveis e estimula o conceito de propriedades sustentáveis – ocupe estas áreas. Isto inclui, segundo ele, setores governamentais que, hoje, não se ocupam tradicionalmente da agricultura como o Ministério do Meio Ambiente e do de Minas e Energia, por exemplo. “Historicamente, são os jovens que encampam a pauta ambiental no campo”. 

            O fenômeno da hipermonopolização – concentração da distribuição de alimentos em apenas quatro grandes empresas (Ceagesp – única pública; Wall Mart, Pão de Açúcar e Carrefour) – representa, segundo Pochmann, um risco para a segurança alimentar brasileira. Mas que, se enfrentado (o fenômeno) com políticas públicas adequadas, pode abrir novas perspectivas. “Com o poder que exercem sobre o mercado, estes gigantes estão reorganizando a produção de acordo com seus interesses. Além de aproximar os setores produtivos de seus centros distribuidores, estas quatro grandes forçam a expansão das monoculturas porque isto lhes facilita a logística.” O resultado disso, para Pochmann, é o encarecimento dos alimentos por conta de que muitas áreas onde antes havia produção diversificada e garantia de auto-consumo, hoje estarem monopolizadas com a população sendo obrigada a comprar o que não produz.

Como forma de enfrentar a hipermonopolização, Pochamnn sugere mudanças nas políticas públicas do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e nas linhas de financiamento do Banco do Brasil com oferta de mais crédito para as regiões onde a produção sofra dificuldades de ser comercializada.

            O presidente do IPEA lembra, ainda, que com os fortes investimentos sociais feitos nos últimos anos no Brasil, grandes segmentos populacionais passaram a consumir alimentos com mais qualidade. “Onde antes só se podia comprar bolachas, hoje já se consomem frutas e verduras, ou seja, há um espaço de ofertas de alimentos de mais qualidade e esta é, também, uma nova oportunidade que se abre para a agricultura familiar.”

            Por fim, Pochmann diz que todas estas oportunidades que se abrem para o campo e os jovens rurais, só serão aproveitadas se houver inteligência. “E isto passa por uma elevação do nível de escolaridade na área rural. Não se pode olhar o campo e associá-lo a uma visão de pobrismo. O campo precisa de serviços – quem disse que só as cidades precisam? Mas tudo isso são idéias e palavras. E palavras não mudam a realidade. Mas mudam os homens. E são os homens que mudam a realidade.”

João Manoel de Oliveira – maneco1313@gmail.com – (61) 9303 0591

 

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